quarta-feira, 10 de setembro de 2008

27 - Planos de viagem

Eu levei a mitologia muito mais a sério depois que virei uma vampira.
Frequentemente, quando eu pensava nos meus três primeiros meses como imortal, eu imaginava com a linha da minha vida no tear das Parcas - quem sabia se elas existiam de verdade? Eu sabia que aquilo tinha mudado a cor da linha da minha vida; eu pensei que ela provavelmente teria começado com um bege, algo suportável e não-confrontável, algo que pareceria bonito no fundo. Agora ele devia estar num brilhante vermelho escuro, ou talvez dourado.
O tapete da família e dos amigos tecido ao meu redor era bonito, brilhante, cheio de suas brilhantes cores complementares.
Eu estava surpresa por algumas linhas que eu tive que incluir na minha vida. Os lobisomes, com suas profundas cores marrons, não eram uma coisa que eu esperava;Jacob, claro, e Seth também. Mas meus velhos amigos Quil e Embry se tornaram uma parte da fabricação, quando eles se juntaram ao bando de Jacob, e mesmo Sam e Emily eram cordiais. As tensões entre nossas famílias deram um tempo, devido principalmente a Renesmee. Era fácil amá-la.
Sue e Leah Clearwater estavam, entrelaçadas à nossa vida também - duas mais que eu não esperava.
Sue pareceu tomar pra ela a tarefa de mediar a transição de Charlie pro mundo do "acredite." Ela veio com ele à casa dos Cullen muitas vezes, embora ela nunca se sentisse verdadeiramente confortável aqui, como seu filho e a maior prarte do bando de Jacob se sentia. Ela não falava muito; ela apenas protetivamente perto de Charlie. Ele sempre era a primeira pessoa pra quem ela olhava quando Renesmee fazia algo pertubantemente avançado - o que acontecia com frequência. Em resposta, Sue olharia pra Seth como quem quer dizer,É, me fale sobre isso.
Leah fica mesno confortável que Sue e era a única parte da nossa numerosa família que era via a fusão com hostilidade. Contudo, ela e Jacob tinham uma camaradagem que a manteve próxima de nós. Eu perguntei a ele sobre isso uma vez - hesitante; Eu não queiria bisbilhotar, mas a relação eram bem diferente do que costumava ser e isso me deixou curiosa. Ele se encolheu e me disse que era uma coisa do bando. Ela era o seu braço direito agora, sua "beta", com eu chamaria aquilo algum tempo depois.
"Eu percebi que enquanto eu for fazer essa coisa de Alpha ser real," Jacob explicou, " é melhor que eu esqueça as formalidades."
A nova responsabilidade fez Leah sentir a necessidade de checá-lo com frequência, e desde que ele estava sempre com Renesmee...
Leah não estava feliz em ficar perto da gente, mas ela era um excessão. Felicidade era o componente principal da minha vida agora, o padrão dominante no tapete. Tanto que a minha relação com Jasper agora era mais próxima do que eu jamais pensei que seria.
A princípio, eu fiquei bem chateada.
"Yeesh!" Eu reclamei com Edward uma noite depois de colocarmos Renesmee em seu berço de ferro. "Se eu não matei Charlie ou Sue ainda, isso provavelmente não vai acontecer. Eu queria que Jasper parasse de controlar o tempo todo!"
"Ninguém duvida de você, Bella, não superficialmente," ele me assegurou. "Você sabe como Jasper é - não resiste a um clima agradável. Você está tão feliz o tempo todo, amor, ele faz isso com você sem perceber."
E então Edward me abraçou forte, porque nada agradava a ela mais do que todo o meu êxtase nessa nova vida.
E eu estava eufórica a maior parte do tempo. Os dias não eram longos o suficiente pra suprir minha cota da minha filha e as noites não eram longas o bastante pra satisfazer minha necessidade de Edward.
Havia o outro lado da alegria. Se você virasse o outro lado do tapete das nossas vidas, eu imagino que o desenho das costas estaria tecido nos tons cinza da dúvida e o medo.
Renesmee disse sua primeira palavra quando ela completou uma semana de idade. A palavra foi mamãe, que teria feito o meu dia, exceto pelo fato de que eu estava tão preocupada com seu crescimento que eu mal podia forçar meu rosto congelado a sorrir de volta pra ela. Isso não evitou que ela prosseguisse da primeira palavra, pra primeira frase, no mesmo instante. "Mamãe, onde está o vovô?" Ela perguntou em alto e bom som, se preocupando em falar bem alto, pois eu estava do outro lado da sala. Ela já tinha perguntado à Rosalie, usando seu normal (ou absolutamente anormal, partindo de outro ponto de vista) meio de comunicação. Rosalie não sabia o que responder, então Renesmee perguntou pra mim.
Quando ela andou pela primeira vez, menos de três semanas depois, foi parecido. Ela simplesmente olhou pra Alice por um bom tempo, assistindo atentamente sua tia ajeitar buquês em vasos espalhados pela sala, dançando de um lado pro outro com seus braços cheiros de flores. Renesmee ficou de pé, sem ao menos se desequilibrar um pouco, e atravessou a sala quase tão graciosamente.
Jacob começou a aplaudir, porque era claramente a resposta que Renesmee queria. O jeito que ele estava atado a ela fez com que suas próprias reações fossem secundárias. Mas os nossos olhos se encontraram, e eu vi o pânico dos meus ecoando nos dele. Eu bati palmas também, tentando esconder meu medo dela. Edward apladiu, quieto, a meu lado, e nós não precisamos dizer o que pensávamos pra saber que era a mesma coisa.
Edward e Carlisle fizeram pesquisas, procurando por respostas, algo pra se esperar.
Havia pouco pra ser encontrado e nada era comprovado.
Alice e Rosalie costumavam começar o dia com uma apresentação de moda. Renesmee nunca vestia a mesma roupa duas vezes, parte disso porque ela ficava maior que suas roupas quase que imediatamente e a parte porque Alice e Rosalie estavam tentando criar um álbum de bebê que aparentasse ter anos e não semanas. Ela tiraram milhares de fotos, documentando cada fase de sua acelerada infância.
Em três meses, Renesmee poderia ser uma grande criança de um ano, ou uma pequena criança de dois anos. Ela tinha moldes de pequena; ela era esguia e mais graciosa, suas proporções mais ainda, como um adulto. Seus cachos bronze alcançavam sua cintura; eu não podia sequer pensar em cortá-los, mesmo que Alice deixasse. Renesmee podia falar em empecável gramática e articulação, mas ela raramente se incomodava, preferindo mostrar às pessoas o que ela queria. Ela não só podia andar como correr e dançar. Ela podia até mesmo ler.
Eu estava lendo Tennyson pra ela uma noite, porque a fluidez e o ritmo de sua poesia pareciam tranquilas.(Eu constantemente tinha que procurar por coisas novas; Renesmee não gostava de repetições em suas histórias pra dormir como as outras crianças supostamente gostavam, e ela não tinha paciência pra livros com figuras.) Ela se esticou pra tocar minhas bochechas, a imagem em sua cabeça era de nós duas, mas ela segurava o livro. Eu o entreguei a ela, sorrindo.
" 'Há uma doce melodia aqui,'" ela leu sem hesitação, "' que é mais suave que pétalas de rosas na grama ou ou gotas de orvalho entre paredes de granito, num deslumbrante caminho -'"
Minha mão roboticamente pegou o livro de volta.
"Se você ler, como vai dormir?" Eu perguntei com uma voz que saiu meio tremida.
Pelos cálculos de Charlie, o crescimento de seu corpo estava diminuindo gradualmente; sua mente continuava à frente. Mesmo se a taxa de redução ficasse estável, ela já seria uma adulta em não mais que quatro anos.
Quatro anos. E uma velho com apenas quinze anos.
Apenas quinze anos de vida.
Mas ela era tão saudável. Vital, brilhante, gloriosa e feliz. Seu bom comportamento fez ser mais fácil pra mim ficar feliz com ela e deixar o futuro pra amanhã.
Carlisle e Edward discutiram nossas opções pro futuro de todos os ângulos em voz baixa, e eu tentei não escutar. Eles nunca tinham aquelas conversas quando Jacob estava por perto, porque não havia um modo seguro de frear o crescimento, e isso não era uma coisa que Jacob ficaria feliz em saber. Eu não estava. Muito perigoso!" meus instintos gritaram pra mim. Jacob e Renesmee eram parecidos em muitas coisas, ambos eram mestiços, duas coisas ao mesmo tempo. E todo sábio lobisomem insistia em dizer que o veneno do vampiro era uma sentence de morte ao invés de um caminho pra imortalidade...
Carlisle e Edward fizeram toda extensa pesquisa que eles poderiam fazer à distância, e agora nós estávamos nos preparando buscar lendas em suas fontes. Os Ticunas tinham lendas sobre crianças como Renesmee... Se outras crianças como ela tivessem mesmo existido, talvez alguma história sobre alguma criança meio-mortal ainda existisse...
E única pergunta era quando nós faríamos isso.
Eu fui um obstáculo. Uma pequena parte disso era porque eu queria ficar perto de Forks até depois das festas de fim de ano, por Charlie. Porém mais que isso, havia uma diferente jornada que eu teria que começar - era uma proridade. Também, teria que ser uma viagem no chão.
Esse era o único ponto a que Edward e eu chegamos em acordo desde que eu virei uma vampira. O principal ponto de contenção era a parte do "chão." Mas os fatos eram o que eles eram, e meu plano era o único que racionalmente fazia sentido.Eu tinha que ir ver os Volturi e tinha que ir sozinha.
Mesmo livre dos velhos pesadelos, de qualquer sonho, era impossível esquecer os Volturi. Nem eles nos deixaram sem lembretes.
Até o dia que o presente de Aro apareceu, eu não sabia que Alice tinha mandado um anúncio casamento pros líderes dos Volturi; nós estávamos longe, na ilha de Esme quando ela teve a visão dos soldados dos Volturi - Jane e Alec, os gêmeos com poderes devastadores, entre eles. Caius estava pensando em mandar um grupo de caçadores, pra se certificar se eu continuava humana, contra sua ordem (porque eu sabia sobre o segredo dos vampiros, ou eu me juntava a eles, ou tinha que ser silenciada... permanentemente). Então Alice mandou o anúncio, vendo que isso ia atrasá-los enquanto decifravam o significado por trás daquilo. Mas eles poderiam vir eventualmente. Era uma certeza.
O presente por si só não era uma ameaça. Extravagante, sim, quase assustador em sua tamanha extravagância. A ameaça estava na nota de cumprimento de Aro, escrita em tinta preta em um grosso cartão branco, na caligrafia do próprio Aro:

Eu espero conhecer a nova Sra Cullen em breve.
O presente era uma ornamentada e antiga caixa de madeira embutida em ouro e madrepérola, ornada com um arco-íris de pedras. Alice disse que a caixa em si era um tesouro barato, que ele teria brilhado mais que quase qualquer jóia, exceto uma em seu interior.
"Eu sempre me perguntei onde as jóias da coroa tinham ido parar depois que John da Inglaterra as penhorou, no século treze," Carlisle disse. "Eu suponho que não me purpreenda que os Volturi tenham sua parte."
O laço era simples - tecido em ouro em forma de uma grossa corrente, quase escamada, como uma suave cobra enrolada perto da garganta. Uma jóia suspensa pela corrente: um diamante do tamanho de uma bola de golfe.
O lembrete nada sutil de Aro me interessou mais que a jóia. Os Volturi precisavam ver que eu era imortal, que os Cullen tinham sido obedientes às ordens deles, e eles precisavem ver isso logo. Eles não poderiam vir pra perto de Forks. havia apenas um jeito de manter nossas vidas à salvo.
"Você não vai sozinha," Edward insistiu, suas mãos fechando-se em punhos.
"Eles não vão me machucar," Eu tinha dito tão calmamente quanto eu pude, forçando a minha voz soar certeza. "Eles não têm motivos. Eu sou um vampira. Caso encerrado."
"Não. Absolutamente não."
"Edward, é o único jeito de protegê-la."
E ele não foi capaz de argumentar com isso. Minha lógica era impermeável.
Mesmo no curto tempo que eu conhecia Aro, eu tinha sido capaz de você que ele era um colecionador - e suas peças mais valiosas eram peças vivas. Ele cobiçava a beleza, o talento, e a raridade de seus seguidores imortais mais do que a qualquer jóia trancada em seu caixa-forte. Foi bastante infeliz que ele começasse a cobiçar as habilidades de Edward e Alice. Eu mão daria a ele mais uma razão pra invejar a família de Carlisle. Renesmee era linda, dotada e única - ela era a única de sua espécie.
Ele não podia vê-la, nem mesmo pelos pensamentos de outra pessoa.
E eu era a única cujos pensamentos ele não podia ouvir. Claro que eu iria sozinha.
Alice não viu problemas na minha viagem, mas ela estava preocupada com a péssima qualidade de suas visões. Ela disse que havia vezes similiarmente nubladas quando havia decisões externas que pudessem conflitar, mas aquilo não tinha sido solidamente decidido. Essa incerteza fez Edward, já hesitante, se opor extremamente ao que eu tinha que fazer. Ele queria ir comigo até pelo menos a minha conexão em Londres, mas eu não ia deixar Renesmee sem ambos seus pais. Carlisle iria ao invés dele. Isso fez com que Edward e eu relaxassemos, sabendo que Carlisle estaria a algumas horas de distância de mim.
Alice continuou olhando pro futuro, mas as coisas não eram relacionadas com o que ela procurava. Uma nova tendência nos estoques das lojas; uma possível visita de reconciliação de Irina, embora sua decisão não fosse firme; uma tempestade de neve que não duraria pelas próximas seis semanas; uma ligação de Renée (eu estava praticando minha voz "rouca", e ficando melhor nisso a cada dia - pra Renée, eu continuava doente, mas remediada).
Nós compramos nossas passagens pra Itália no dia seguinte ao que Renesmee completou três meses. Eu planejei pra que fosse uma viagem bem curta, então eu não teria que contar à Charlie sobre isso. Jacob sabia, e ele ficou com a visão de Edward das coisas. Contudo, o argumento de hoje era sobre o Brasil. Jacob estava determinado a ir conosco.
Nós três, Jacob, Renesmee e eu, estávamos caçando juntos. A dieta de sangue de animal não era a favorita de Renesmee - e era por isso que Jacob tinha permissão de vir junto. Jacob tinha feito daquilo um concurso entre eles, e isso a deixou mais dispota que qualquer outra coisa.
Renesmee era bastante consciente do que era bom e do que era ruim - e isso era aplicado a caçar humanos; ela só pensou que doação de sangue era uma coisa legal. Comida humana a enchia e parecia ser compatível com seu corpo, mas ela reagia a todas as variedade de comida sólida com a mesma desaprovação e paciência quando lhe dei cove-flor e feijão. Sangue animal era melhor que aquilo, pelo menos. Ela tinha uma natureza competitiva, e o desafio de bater Jacob a deixou animada pra caçar.
"Jacob," eu disse, tentando ser racional com ele de novo, enquanto Renesmee dançava na nossa frente na clareira, procurando por um aroma que ela gostasse. "Você tem obrigações aqui. Seth, Leah - "
Ele grunhiu. "Eu não sou a babá do bando. Eles também têm obrigações em La Push, de todo jeito."
"Assim como você? Você está oficialmente largando o colégio, então? Se você está vai ficar com a Renesmee, você vai ter que estudar muito mais."
"É apenas por um tempo. Eu vou voltar pra escola quando as coisas... se acalmarem."
Eu perdi minha concentração no meu lado de desaprovação quando ele disse aquilo, e nós olhamos pra Renesmee. Ela estava olhando pros flocos de neve futuando sobre sua cabeça, derretendo antes mesmo de tocar a grama amarelada na clareira triangular em que estávamos parados. Seu franzido vestido cor de mármore era apenas um um tom mais escuro que a neve, e seus cachos castanho-avermelhados começaram a brilhar, embora o sol estivesse completamente coberto pelas nuvens.
Enquanto assistiamos, ela se agachou por um instante e então saltou a uns 5 metros no ar. Suas pequenas mãos fechadas em torno de um floco, e ela caiu suavemente sobre seus pés.
Ela se virou pra nós com seu sorriso chocante - de verdade, não era um coisa com a qual você se acostuma - e abriu suas mãos antes que ele pudesse derreter.
"Lindo," Jacob chamou por ela apreciativamente. "Mas eu acho que atrasada, Nessie."
Ela pulou de novo pra Jacob; ele esticou os braços no momento exato que ela pulou nele. Eles estavam perfeitamente sincronizados. Ela fazia isso quando tinha alguma coisa pra dizer. Ela preferia não falar alto.
Renesmee tocou o rosto dele, fazendo adoráveis caretas quando nós todos escutamos o som de um pequeno rebanho de cervos movendo-se na floresta.
"Certeeeeeza que não está com sede, Nessie," Jacob perguntou um pouco sarcástico, porém mais indulgentemente que qualquer coisa. "Você está apenas com medo que eu pegue o maior de novo!"
Ela desceu dos braços de Jacob, aterrisando suavemente de pé, e rolou seus olhou - ela parecia muito mais com Edward quando ela fazia isso. Então ela disparou por ente as árvores.
"Eu vou," Jacob disse quando eu me inclinei pra seguí-la. Ele tirou a camisa e saiu atrás dela pra dentro da floresta, já tremendo."Não conta se você roubar," ele chamou por Renesmee.
Eu ri pras folhas que eles deixaram voando atrás deles, balançando a cabeça. Às vezes o Jacob era mais criança que a Renesmee.
Eu parei, dando aos meus caçadores um minuto de vantagem. Seria mais que simples seguí-los, e Renesmee ia adorar me surpreender com o tamanho da presa dela. Eu sorri de novo.


A estreita clareira estava muito quieta, muito vazia. A neve estava diminuindo acima de mim, quase acabando. Alice tinha visto que não duraria muitas semanas.
Normalmente Edward e eu vínhamos juntos caçar. Mas Edward estava com Carlisle hoje, planejando a viagem ao Rio, falando pelas costas de Jacob... Ele devia vir conosco. Ele se arriscando com aquilo como nenhum de nós - a vida dele toda tinha sido de riscos, como a minha.
Enquanto meus pensamentos estavam perdidos num futuro próximo, meus olhos percorreram a enconta da montanha, procurando por uma presa, procurando por perigo. Eu não pensei nisso; era uma coisa automática.
Ou de repente havia uma razão pela minha procura, algum estalido que meus sentidos afiados tivessem captados antes que eu pudesse perceber conscientemente.
Quando que meus olhos percorreram um rochedo distante, destacando perfeitamente um azul acinzentado na floresta esverdeada, um brilho prateado - ou era dourado? - chamou minha atenção.
Meu olhar se voltou pra cor que não deveria estar ali, tão distante na neblina e nem mesmo uma águia seria capaz de discenir. Eu olhei.
Ela olhou de volta.
Era óbvio que ela era uma vampira. Sua pele era branca como mármore, a textura era milhões de vezes mais macia que a pele de uma humana. Mesmo sob as nuvens, ela brilhava muito ligeiramente. Se a pele dela não a tivesse entregado, sua quietude teria. Apenas vampiros e estátuas são capazes de ficar imóveis daquele jeito.
O cabelo dela era claro, loiro claro, quase prateado. Foi esse o brilho que atraiu meu olhar. Ele estava caído, liso, com cachos na altura do queixo, repartido igualmente do meio.
Ela era uma estranha pra mim. Eu tinha absoluta certeza que nunca a tinha visto antes, mesmo quando humana. Nenhum dos rostos da minha memória lamacenta pareciam com aquele. Mas eu a reconheci pelos seus olhos dourados.
Irina decidiu vir no fim das contas.
Por um momento eu a olhei e ela olhou de volta. Eu me perguntei se ela adivinha quem eu era também. Eu meio que levantei a mão, pra abanar, mas seu lábio se moveu um pouco, fazendo o seu rosto parecer hostil.
Eu ouvi o grito da vitória de Renesmee vindo da floresta, ouvi o eco da rosnada de Jacob, e vi o rosto de Irina se contrair quando o som ecoou pra ela, segundos depois. O olhar dela moveu-se sutilmente pra direita, e eu sabia o que ela estava vendo. Eu enorme lobisomem, talvez o mesmo que matou Laurent. A quanto tempo ela estava nos observando? Tempo suficiente pra ver nossa troca de afetos, eu tinha certeza.
O rosto dela se contraiu em sofrimento.
Instintivamente, eu abri minhas mãos em frente a mim, num gesto de desculpas. Ela olhou de volta pra mim, e seu lábio deixos os dentre à mostra. Seu maxilar destravou e ela rosnou.
Quando o som chegou até mim, ela já tinha se virado e desparecido pela floresta.
"Merda!" Eu gemi.
Eu disparei pela floresta atrás de Renesmee e Jacob, não dispoa a deixá-los longe das minhas vistas. Eu não sabia pra qual direção Irina tinha ido, ou quão furiosa ela estava agora. Vingança é uma obsessão comum a vampiros, e que não é fácil de superar.
Correndo a toda velocidade, levou apenas dois segundos pra alcançá-los.
"O meu é o maior," eu ouvi Renesmee insistir enquanto eu irrompia através dos arbusto espinhosos pro pequeno espaço aberto em que eles estavam.
Jacob ergueu as orelhas quando percebeu minha expressão; ele se agachou depressa, mostrou seus dentes - o seu focinho estava manchado com o sangue de sua pressa. Os olhos dele se voltaram pra floresta. Eu podia ouvir o crescente rosnado em sua garganta.
Renesmee estava tão alerta quanto Jacob. Deixando o cervo a seis pés, ela pulou pros meus braços, pressionando suas curiosas mãos nas minhas bochechas.
"Eu estou agindo emocionalmente," eu os assegurei rapidamente. "Está tudo bem. Eu acho. Esperem."
Eu tirei meu celular e disquei rapidamente. Edward atendeu no primeiro toque. Jacob e Renesmee ouviram atentamente ao meu lado enquanto eu falava com Edward.
"Venha, traga Carlisle," eu falei rápido demais e me perguntei se Jacob poderia acompanhar. "Eu vi Irina, e ela me viu, mas então ela viu Jacob e ficou louca e fugiu, eu acho. Ela não vai aparecer aqui - ainda - mas ela pareceu bem chateada, então talvez ela venha. Se ela não vir, você e Carlisle têm que ir atrás dela e falar com ela. Eu me sinto tão mal.
Jacob rosnou."Eu estarei aí em meio minuto," Edward me assegurou, e eu pude escutar o barulho do vento quando ele correu.
Nós voltamos pra grande clareira e então esperamos silenciosamente quando Jacob e eu escutamos o som de uma aproximação que nós não reconhecemos.
Quando o som chegou, era muito familiar. E então Edward estava a meu lado, Carlisle alguns segundo atrás dele. Eu fiquei surpresa com o som de grandes apatas atrás de Carlisle. Eu supus que eu não devia ficar chocada. Ao menos rumor de perigo pra Renesmee, claro que Jacob chamaria reforços.
"Ela estava no alto daquele espinhaço," eu disse a eles, apontando o lugar, Se Irina estivesse indo embora, ela já estava com uma boa vantagem. Ela pararia e ouviria Carlisle? A expressão de antes dela me fez pensar que não. "Talvez você devesse ligar pra Emmett e Jasper e levá-los com você. Ela parecia... bem chateada. Ela rosnou pra mim."
"O que?" Edward disse raivosamente.
Carlisle pôs a mão no braço dela. "Ela estava aflita. Eu vou atrás dela."
"Eu vou com você," Edward insistiu.
Eles trocaram um longo olhar - talvez Carlisle estivesse medindo a irritação de Edward com Irina contra sua utilidade de leitor de mentes. Finalmente, Carlisle concordou e eles saíram pra encontrar a trilha sem chamar Emmett ou Jasper.
Jacob rufou impacientemente e me cutucou com seu nariz. Ele queria que Renesmee voltasse à segurança da casa, por via das dúvidas. Eu concordei com ele, e nós corremos pra casa com Seth e Leah bem atrás de nós.
Renesmee estava complacente nos meus braços, uma mão ainda no meu rosto. Uma vez que abortamos a caçada, ela teria que se contentar com o sangue doado. Os pensamentos dela eram meio presunçosos.

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