sábado, 27 de setembro de 2008

Capítulo 10 - Teoria (Midnight Sun)

“Posso fazer só mais uma?” ela suplicou ao invés de responder ao meu pedido.
Eu estava nervoso, ansioso pelo pior. E ainda, como era tentador prolongar esse momento.
Ter Bella comigo, de boa vontade, só por mais alguns segundos. Eu suspirei com o dilema,
então disse, “Uma.”
“Bem…,” ela hesitou por um momento, como se estivesse decidindo qual pergunta ia fazer.
“Você disse que sabia que eu não tinha entrado na livraria, e que eu tinha ido para o sul. Eu
só estava me perguntando como você sabia disso.”
Eu olhei para além do pára-brisa. Esta era outra questão que não revelava nada sobre ela, e
muito sobre mim.
“Eu pensei que não estávamos mais sendo evasivos.” ela disse, seu tom crítico e
desapontado.
Que irônico. Ela estava sendo cruelmente evasiva sem se quer tentar.
Bem, ela me pediu para ser direto. E essa conversa não estava indo para nenhum lugar bom
de qualquer forma.
“Tudo bem, então.” eu disse “Eu segui o seu cheiro.”
Eu queria ver o seu rosto, mas eu estava com medo do que eu ia ver. Ao invés disso, eu
escutei a sua respiração acelerando e depois se estabilizando. Ela falou novamente após um
momento, e a sua voz estava mais serena do que eu esperava.
“E você também não respondeu uma das minhas perguntas”, ela disse.
Eu olhei para baixo, em sua direção, com uma careta. Ela estava procrastinando, também.
“Qual delas?”
“Como funciona - essa coisa de ler mentes?” ela perguntou, reiterando a pergunta do
restaurante. “Você pode ler a mente de todo mundo, em qualquer lugar? Como você faz
isso? O resto da sua família pode…?” ela deixou sua voz morrer, corando novamente.
“Isso é mais que uma”, eu disse.
Ela somente me olhou, esperando pelas suas respostas.
E por que não contar a ela? Ela já adivinhava a maior parte disso, e esse assunto era mais
fácil do que aquele que se aproximava.
“Não, sou só eu. E eu não consigo ouvir qualquer um, em qualquer lugar. Eu tenho que
estar pelo menos um pouco perto. Quanto mais famili ar é a… voz de alguém, de mais longe
eu posso ouví-la. Mas ainda assim, não mais longe que alguns quilômetros.” Eu tentei
pensar em uma maneira de descrever isso de uma forma que soasse compreensível. Uma
analogia a qual ela podia relacionar. “É como estar num corredor enorme e cheio de gente,
todos falando ao mesmo tempo. É só um ruído - um zumbido de vozes no fundo. Até que
eu me concentro em uma das vozes, e aí o que ela está pensando se torna claro. Na maioria
das vezes eu desligo todas - se não eu posso me distrair demais. E então fica mais fácil
parecer normal-” eu fiz uma careta “-Isso quando eu não estou respondendo acidentalmente
ao pensamento das pessoas e não á suas vozes”.
“Porque será que você não pode me ouvir?”, ela se admirou.
“Eu não sei”, eu admiti. “A única suposição é que talvez a sua mente não trabalhe da forma
como a deles trabalha. Como se os seus pensamentos estivessem na freqüência AM quando
eu só posso ouvir Fm”.
Eu percebi que ela poderia não gostar dessa analogia. A antecipação da sua reação me fez
sorrir. Ela não me desapontou.
“Minha mente não trabalha direito?” ela perguntou, sua voz se ergueu com desgosto. “Eu
sou uma aberração?”
Ah, a ironia de novo.
“Eu ouço vozes na minha cabeça e você preocupada que você a aberração”. Eu ri. Ela
entendeu todas as coisas pequenas, e ainda assim ela ignorava as grandes. Sempre os
instintos errados…
Bella estava mordendo o seu lábio, e as rugas por entre seus olhos estavam profundas.
“Não se preocupe” eu assegurei a ela “É apenas uma teoria…” e havia uma teoria mais
importante para ser discutida. Eu estava ansioso para chegar nela. Cada segundo que se
passava parecia mais e mais como um tempo roubado.
“O que nos leva de volta a você” eu disse, dividido em dois, ambos ansiosos e relutantes.
Ela suspirou, ainda mordendo seu lábio - eu estava preocupado que ela se machucasse. Ela
me olhou nos olhos, seu rosto confuso.
“Nós não deixamos de ser evasivos?” eu perguntei calmamente.
Ela olhou para baixo, se debatendo com algum dilema interno. De repente, ela endureceu e
seus olhos se arregalaram. O medo passou por seus olhos pela primeira vez.
“Minha nossa!” ela gaguejou.
Eu entrei em pânico. O que ela tinha visto? Como que eu tinha a apavorado?
Então ela gritou. “Diminua!”.
“Qual é o problema?” eu não ent endi da onde que o seu terror estava vindo.
“Você está indo á quase duzentos por hora!” ela gritou para mim. Ela olhou para fora da
janela e se recolheu às árvores negras passando rapidamente por nós.
Essa coisinha pequena, só um pouco de velocidade, fez e la gritar em pavor?
Eu revirei meus olhos. “Relaxe, Bella”.
“Você está tentando nos matar?”, ela perguntou, sua voz alta e firme.
“Nós não vamos bater”. Eu prometi a ela.
Ela deu uma inspirada ansiosa, e então ela disse em um tom levemente moderado. “Porqu e
você está com tanta pressa?”
“Eu sempre dirijo assim.”
Eu olhei para seus olhos me encarando, divertido com a sua expressão chocada.
“Mantenha os olhos na estrada!” ela gritou.
“Eu nunca sofri um acidente, Bella - eu nunca sequer levei uma multa.” Eu sor ri e então eu
toquei a minha testa. Isso fez com que parecesse mais cômico - a falta de lógica de ser
capaz em fazer piadas com ela sobre algo tão secreto e estranho. “Detector de radar
embutido”.
“Muito engraçado”, ela disse de forma sarcástica, sua voz m ais amedrontada do que com
raiva. “Charlei é um policial, lembra? Eu fui criada para obedecer todas as leis de trânsito.
Além do mais, se você bater o Volvo e transformá -lo numa sanfona, provavelmente você
vai se levantar e sair dele”.
“Provavelmente” eu repeti, e então eu ri sem humor. Sim, nós iríamos pagar um preço um
pouco diferente em um acidente de carro. Ela estava certa em estar com medo, a respeito do
meu modo de dirigir… “Mas você não”.
Com um suspiro, eu deixei o carro diminuir de velocidade. “Fe liz?”
Ela olhava o velocímetro “Quase”.
Isso ainda estava muito rápido para ela? “Eu odeio dirigir devagar”, eu murmurei, mas
deixei o ponteiro cair mais um pouco.
“Isso é devagar?” ela perguntou.
“Chega de comentários sobre como eu dirijo” eu disse impaci entemente. Quantas vezes até
agora ela desviou da minha pergunta? Três vezes? Quatro? As suas especulações eram tão
horríveis? Eu tinha que saber - imediatamente. “Eu ainda estou esperando pela sua última
teoria”.
Ela mordeu o seu lábio de novo, e sua expr essão se tornou preocupada, quase com dor.
Eu dominei a minha impaciência e suavizei a minha voz. Eu não queria que ela ficasse
estressada.
“Eu não vou rir” eu prometi, desejando que esse fosse o único obstáculo que a estivesse
hesitando em falar.
“Eu estou com mais medo que você fique com raiva de mim” ela suspirou.
Eu forcei a minha voz para continuar “É assim tão ruim?”
“Em grande parte, sim.”
Ela olhou para baixo, se recusando a olhar em meus olhos. Os segundos passavam.
“Vá em frente” eu encorajei.
Sua voz era baixa “Eu não sei como começar”.
“Por que você não começa pelo começo?” eu a lembrei de suas palavras antes do jantar.
“Você disse que não foi você quem criou essa teoria”.
“Não” ela concordou, e então estava em silêncio de novo.
Eu pensei em várias coisas que podiam tê-la inspirado. “Onde você a encontrou - num
livro? Um filme?”
Eu devia ter dado uma olhada em sua coleção quando ela estava fora da casa. Eu não tinha
nem idéia se Bram Stoker ou Anne Rice estavam naquela pilha de livros usados…
“Não” ela disse de novo “Foi Sábado, na praia”.
Por essa eu não esperava. A bisbilhotice local sobre nós nunca tinha dado em nada tão
bizarro - ou tão preciso. Tinha algum novo rumor que eu tinha perdido? Bella desviou o
olhar de suas mãos e viu a surpresa em meu rosto.
“Eu dei de cara com um amigo antigo da família - Jacob Black” ela continuou “O pai dele e
Charlie são amigos desde que eu era bebê.”
Jacob Black - o nome não me era familiar, e mesmo assim me lembrava de alguma coisa…
algum tempo, há um tempo at rás… eu encarei o pára-brisa, procurando através das
memórias tentando achar alguma conexão.
“O pai dele é um dos anciões Quileute” ela disse.
Jacob Black. Ephraim Black. Um descendente, sem dúvida.
Isso era tão mal quanto eu podia imaginar.
Ela sabia da verdade.
Minha mente estava voando pelas ramificações enquanto o carro passava ao redor das
curvas escuras da estrada, meu corpo rígido, com angústia - se movimentando apenas o
necessário e automáticas ações para dirigir o carro.
Mas… se ela tinha descobert o a verdade no sábado… então ela sabia disso a noite toda… e
ainda assim…
“Nós fomos dar uma volta” ela continuou. “ - Ele estava me contando umas histórias antigas
- tentando me assustar, eu acho. Ele me contou uma…”
Ela parou, mas não havia necessidade pa ra ela ficar apreensiva agora; eu sabia o que ela ia
dizer. O único mistério que sobrava era por que ela estava sentada comigo agora.
“Vá em frente”, eu disse.
“Sobre vampiros” ela respirou, as palavras saíram mais baixas do que um suspiro.
De alguma forma, isso era ainda pior do que saber que ela sabia, a ouvir dizer a palavra em
alto e bom som. Eu recuei com o som disso, e então eu me controlei novamente.
“E você imediatamente pensou em mim?” eu perguntei.
“Não. Ele… mencionou sua família”.
Quão irônico seria que o próprio progenitor de Ephraim ter violado o trato que ele próprio
fez um juramento para mantê-lo. Um neto, ou bisneto que seja. Quantos anos tinham se
passado? Dezessete?
Eu devia ter percebido que não era aquele velho que acreditava nas lendas que seria o
perigo. É claro, a nova geração - os quais deviam ter sido alertados, mas devem ter pensado
que as superstições dos mais velhos eram ridículas - é claro que aí que estaria o perigo da
exposição.
Eu supus que isso significava que agora eu era li vre para matar a pequena, indefesa tribo do
litoral, a qual eu estava tão disposto.
“Ele só achava que era uma superstição boba.” Bella disse de repente, sua voz aguçou com
uma nova ansiedade. “Ele não esperava que eu pensasse nada dela.”
Pelo canto dos olhos, eu vi as suas mãos se contorcerem inquietamente.
“Foi minha culpa” ela disse após uma breve pausa, então ela inclinou a sua cabeça como se
estivesse envergonhada “Eu forcei ele a me dizer.”
“Por que?” Não era difícil manter o nível de minha voz agora. O pior já tinha passado.
Enquanto ela falava dos detalhes da revelação, nós não tínhamos que nos mover para as
conseqüências disso.
“Lauren disse uma coisa sobre você - ela estava tentando me provocar.” Ela fez uma
pequena careta com a memória. Eu fiquei levemente distraído, imaginando como que Bella
poderia ter sido provocada por alguém falando sobre mim. “E um garoto mais velho da
tribo disse que vocês não iam até lá, só que pra mim pareceu que ele quis dizer outra coisa.
Então eu fiquei sozinha com Jaco b e tirei a verdade dele”.
A sua cabeça caia cada vez mais à medida que ela admitia isso, e a sua expressão parecia…
culpada.
Eu olhei para longe dela e ri alto. Ela se sentia culpada? O que ela poderia ter feito para
merecer qualquer tipo de censura?
“Como foi que você forçou ele a contar?” eu perguntei.
“Eu tentei flertar com ele - e funcionou melhor do que eu imaginava” ela explicou e sua
voz se tornou incrédula com a memória desse sucesso.
Eu conseguia imaginar - considerando a atração que ela parecia exercer sobre os machos,
totalmente inconsciente disso - o quanto irresistível ela conseguia ser quando ela tentava
ser atraente. Eu estava subitamente cheio de pena pelo garoto inocente no qual ela jogou
tamanho poder.
“Eu queria ter visto isso” eu disse, e então eu ri de novo com humor negro. Eu gostaria de
ter ouvido a reação do garoto, testemunhado a devastação para mim mesmo. “E você me
acusando de deslumbrar as pessoas - pobre Jacob Black.”
Eu não estava tão zangado com a fonte de minha exposição quan to eu achava que ia ficar.
Ele não sabia. E como que eu podia esperar que alguém negasse a essa garota o que quer
que ela quisesse? Não, eu somente sentia simpatia pelo dano que ela teria causado a esse
pedaço de mente.
Eu senti-a corar, aquecendo o ar ent re nós. Eu a encarei, mas ela estava olhando para fora
da janela. Ela não falou novamente.
“O que você fez depois?” Eu perguntei. Hora de voltar para a história de terror.
“Pesquisei um pouco na internet.”
Sempre prática. “E isso a convenceu?”
“Não” Ela disse. “Nada se encaixa. A maioria era meio boba. E então…”
Ela parou de falar novamente, e eu ouvi seus dentes rangerem.
“O quê?” Eu exigi. O que ela tinha encontrado? O que tinha feito o sentimento de pesadelo
para ela?
Houve uma breve pausa, e em seguida, ela sussurrou, “Concluí que não importava.”
Ela congelou meus pensamentos por quase um segundo, e depois tudo estava claro. Porque
ela preferia despachar seus amigos para longe esta noite do que escapar com eles. Por que
ela havia entrado no meu carro comigo novamente, ao invés de sair correndo, chamando a
polícia.
Suas reações sempre estavam erradas - sempre completamente erradas… Ela puxava o
perigo para si própria. Ela convidava -o.
“Não importava?” Eu disse entre dentes, me enchendo de raiva. Como eu er a capaz de
proteger alguém tão… tão… tão determinada a ser desprotegida?
“Não,” ela disse com uma voz tão calma que era inexplicável.
Ela era impossível.
“Você não liga que eu seja um monstro? Que eu não seja humano?”
“Não.”
Eu percebi que ela estava estável.
Eu supostamente deveria providenciar que ela tivesse o maior cuidado possível… Carlisle
teria as conexões para encontrar o seu médico mais hábil, o mais talentoso terapeuta.
Talvez algo pudesse ser feito para corrigir o que estivesse de errado com ela, o que quer
que fosse que a fazia contente de sentar ao lado de um vampiro que fazia seu coração bater
calmamente e constantemente. Eu vigiaria o local naturalmente, e visitaria com a
freqüência que me fosse permitida…
“Você está com raiva,” ela suspirou, “Eu não devia ter dito nada.”
Como se ela escondesse essas perturbantes tendências que podiam contribuir com nós dois.
“Não. Queria mesmo saber o que você estava pensando… mesmo que o que você pensa
seja loucura.”
“Então estou errada de novo?” perguntou el a, agora um pouco beligerante.
“Não é a isso que estou me referindo” meus dentes se trincaram novamente “Não importa!”
Eu repeti em um tom destruidor.
Ela ofegou, “Eu estou certa?”
“Isso importa?”
Ela tomou uma respiração profunda. Esperei furioso a sua re sposta.
“Na verdade, não…” Ela parou, recompondo sua voz de novo. “Mas estou curiosa.”
Não mesmo. Ela realmente não se importava. Ela não tinha cuidado. Ela sabia que eu era
desumano, um monstro, e isso realmente não importava para ela.
Independente das minhas preocupações sobre sua sanidade, eu comecei a sentir um pouco
de esperança. Eu tentei acabar com isso.
“Está curiosa com o quê?” Eu perguntei. Não havia segredos, apenas detalhes.
“Quantos anos você tem?” Ela perguntou.
Minha resposta foi automática e impregnada. “Dezessete.”
“E há quanto tempo tem 17 anos?”
Eu tentei não sorrir para padronizar o tom. “Há algum tempo,” eu admiti.
“Tudo bem,” ela disse satisfeita. Sorrindo para mim. Eu voltei a encarar, cada vez mais
preocupado com sua saúde mental. Ela deu um sorriso mais largo. Eu franzi a testa.
“Não ria,” ela alertou “Mas como pode sair durante o dia?”
Eu ri apesar de sua pergunta. Sua investigação não tinha nada incomum, pelo menos
parecia. “Mito,” eu disse a ela.
“Queimado pelo sol?”
“Mito.”
“Dormir em caixões?”
“Mito.”
Dormir já não era parte da minha vida há muito tempo - até que nas últimas noites, eu
assisti Bella dormindo…
“Não posso dormir.” Eu murmurei respondendo a sua pergunta mais difícil.
“Nunca?”
“Nunca,” eu sussurrei.
Eu encarei seus olhos, sob a espessa franja de cílios, e senti saudades de dormir. Não foi
pelo inconsciente, como tinha antes, para não fugir do tédio, mas porque eu queria sonhar.
Talvez se eu pudesse ficar inconsciente, se eu pudesse sonhar, eu pudesse viver por
algumas horas em um mundo que ela vivia, junto com ela. Ela sonhava comigo. Eu queria
sonhar com ela.
Ela olhou para mim, sua expressão era mais que maravilhosa. Eu tinha a aparência distante.
Eu não podia sonhar com ela. Ela não deveria poder sonhar comigo.
“Ainda não me fez a pergunta mais importante,” Eu disse, meus olhos estavam mais frios e
rudes do que antes. Ela teve de forçar para compreender. Em algum momento, ela teria de
perceber o que agora eu estava fazendo. Ela devia ser obrigada a ver que isso era tu do o que
importava - mais que qualquer outra consideração. Considerações como o fato que eu
amava ela.
“Qual?” Ela perguntou, surpresa e não entendendo.
Isso só fez minha voz ficar rude. “Não está preocupada com a minha dieta?”
“Ah, isso.” Ela falou em um tom calmo que eu não pude interpretar.
“É, isso. Quer saber se eu bebo sangue?”
Ela encolheu com medo por minha pergunta. Finalmente. Ela entendeu.
“Bom, o Jacob disse alguma coisa sobre isso.” Ela disse.
“O que o Jacob disse?”
“Disse que vocês não… caçam pessoas. Disse que sua família não devia ser perigosa
porque vocês só caçavam animais.”
“Ele disse que não éramos perigosos?” Eu disse ceticamente.
“Não exatamente,” ela deixou claro. “Ele disse que vocês não deviam ser perigosos. Mas os
quileutes ainda não querem vocês na terra deles, por segurança.”
Eu olhei para a estrada.
Meus pensamentos perdidos fizeram meus dentes rangerem. Minha garganta doeu com um
familiar desejo queimante.
“E aí?” Ela perguntou, como se ela se confirmar um relatório meteorológico . “Ele tem
razão sobre não caçar pessoas?”
“Os quileute tem boa memória,”
Ela balançou a cabeça consigo mesma, pensando duramente.
“Mas não permita que isso a deixe complacente,” Eu disse apertando. “Eles tem razão em
manter a distância de nós. Ainda somos perigosos.”
“Não entendi.”
“Nós tentamos,” eu contei, “Em geral somos muito bons no que fazemos. Às vezes
cometemos erros. Eu, por exemplo, me permitindo ficar sozinho com você.”
“Isso é um erro?” Ela perguntou, e eu senti a tristeza em sua voz. O som me desarmou. Ela
queria ser minha - apesar de tudo, ela queria estar comigo. A esperança cresceu de novo, e
eu vibrei novamente.
“Um erro muito perigoso,” eu disse com sinceridade, esperando realmente que o assunto se
cessasse.
Ela não respondeu por um moment o. Ouvi sua respiração mudar - se alterando
estranhamente para um modo que não soava como medo.
“Me conte mais,” ela disse de repente, sua voz estava distorcida pela angústia.
Ela me examinou cuidadosamente.
“O que mais quer saber?” eu perguntei, tentando pensar numa maneira de respondê-la sem
fazer doer. Ela não devia sentir dor. Eu não podia feri -la.
“Me conte porque que vocês caçam animais em vez de gente,” ela disse, ainda angustiada.
Isso não era evidente? Ou talvez isso não tenha interessado a ela.
“Eu não quero ser um monstro,” eu murmurei.
“Mas os animais não bastam?”
Eu procurei outro modo de comparar, da forma que ela pudesse entender. “É claro que eu
não posso ter certeza, mas comparo isso a viver de tofu e leite de soja; nós nos dizemos
vegetarianos, nossa piadinha particular. Não sacia completamente a fome… ou melhor, a
sede. Mas isso nos mantém fortes o suficiente para resistir. Na maior parte do tempo.” A
minha voz ficou mais baixa; fiquei envergonhado do perigo que ela corria. Perigo que eu
continuava deixando correr… “Algumas vezes é mais difícil do que em outras.”
“Está muito difícil para você agora?”
Eu suspirei. É claro que ela ia fazer essa pergunta, eu não queria responder. “Sim,” Eu
admiti.
Eu esperava sua resposta fisicamente correta, d esta vez; a sua respiração estava estável, seu
coração ainda se mantinha em seu padrão. Eu a esperava, não entendendo. Como ela não
podia ter medo?
“Mas agora não está com fome,” ela disse, muito segura de si.
“Porque pensa assim?”
“Seus olhos” Ela disse com um tom improvisado. “Eu disse que tinha uma teoria. Percebi
que as pessoas, em particular os homens, ficam mais rabugentos quando estão com fome.”
Eu ri de sua descrição: rabugento. Parei um pouco. Mas ela estava completamente certa,
como de costume. “Você é bem observadora, não é?” Eu sorri novamente.
Ela sorriu um pouco, e voltou os olhos aos meus, como se estivesse se concentrando em
algo.
“Foi caçar no fim de semana, com Emmett?”
Ela perguntou depois de rir do meu sorriso que havia sumido. A forma ca sual que ela falou
foi tão como fascinante como frustrante. Ela podia realmente entender tanto? Eu parecia
tanto estar em choque, que ela pareceu ter percebido.
“Fui,” eu tornei a dizer, depois, como estava com permissão de continuar com isso, eu senti
a mesma urgência que senti antes no restaurante: eu queria que ela me conhecesse. “Eu não
queria ir,” fui dizendo lentamente, “mas era necessário. É muito mais fácil ficar perto de
você quando não estou com sede.”
“Por que você não queria ir?”
Eu respirei profundamente, e em seguida, eu tornei a encarar seus olhos. Este tipo de
honestidade era difícil, de uma forma muito diferente. “Me deixa… angustiado..” Eu supus
que essa palavra fosse suficiente, embora ela não fosse suficientemente forte. “Ficar longe
de você. Eu não estava brincando quando lhe pedi para tentar não cair no mar nem ser
atropelada na quinta passada. Fiquei disperso o fim de semana todo, preocupado com você.
E depois do que aconteceu essa noite, é uma surpresa que você tenha passado por todo o
fim de semana ilesa.” Então eu lembrei dos arranhões na palma de suas mãos. “Bom, não
totalmente ilesa.”
“Como é?”
“Suas mãos,” eu lembrei ela.
Ela suspirou e fez uma careta. “Eu caí.”
Eu certamente adivinhei. “Foi o que eu pensei.” Eu disse, incapaz de c onter o meu sorriso.
“Imagino que, sendo você, podia ter sido muito pior… Essa possibilidade me atormentou o
tempo todo em que estive fora. Foram três dias muito longos. Eu dei nos nervos de
Emmett.”
Honestamente; isso não fazia parte do passado. Eu ainda estava provavelmente, irritando
Emmett. E todo o resto da minha família também. Exceto por Alice…
“Três dias?” Sua voz ficou afiada repentinamente. “Não voltou hoje?”
Eu não entendi o corte em sua voz. “Não, voltamos no sábado.”
“Então por que nenhum de vo cês foi à escola?” ela exigiu. Sua irritação me confundiu. Ela
não parecia ter percebido que era uma questão relacionada com a mitologia novamente.
“Bom, você perguntou se o sol me machucava, e não machuca.” Eu disse. “Mas não posso
sair na luz do sol… Pelo menos, não onde todo mundo possa ver.”
Ela se desviou do seu mistério incomodo. “E por quê?” ela inclinou a cabeça para o lado.
Eu tinha dúvidas com a analogia apropriada para explicar isso. Então eu contei a ela, “Um
dia eu mostro,” E então eu me pergun tei se essa era uma promessa que eu acabaria
quebrando. Eu iria vê-la depois desta noite? Eu a amava o suficiente para mantê -la longe?
“Podia ter me ligado,” ela disse.
Que estranha conclusão, “Mas eu sabia que estava segura.”
“Mas eu não sabia onde você e stava. Eu…” Ela interrompeu de uma maneira repentina, e
olhou para suas mãos.
“O quê?”
“Não gosto disso,” ela disse com timidez, com sua pele corando ao longo de suas maçãs.
“Não ver você. Me deixa angustiada também.”
“Você está feliz agora?” eu disse a mim mesmo. Bem, aquilo foi a recompensa que eu
estava esperando.
Eu estava perplexo, feliz, horrorizado, principalmente horrorizado - para perceber que
minha louca imaginação não estava longe de notar. Foi por esta razão que não importava eu
ser um monstro. Foi exatamente a mesma razão que fazia as regras não importarem para
mim. Porque o certo e o errado já não eram incontornáveis influências. Porque todas as
minhas prioridades tinham deslocado um degrau para baixo para dar espaço a esta menina
na parte superior.
Bella se importava comigo, também.
Eu sabia que poderia não ser nada, comparado com a forma que ela me amava. Mas era
suficiente para que ela arriscasse sua vida ao se sentar aqui comigo. Para fazer isso com
prazer.
O suficiente para causar dor, se e la fizesse a coisa certa e me deixasse.
Havia alguma coisa que pudesse fazer agora que não fosse prejudicá -la? Absolutamente
nada? Eu devia permanecer afastado. Eu nunca devia ter voltado a Forks. Só iria lhe
provocar dor, mais nada.
A forma como me senti no momento, senti seu calor contra minha pele.
Não. Nada iria me parar.
“Ah,” eu gemi comigo mesmo. “Isso é um erro.”
“O que eu disse?” ela perguntou, rapidamente se culpando.
“Não vê, Bella? Uma coisa é eu mesmo ficar infeliz, outra bem diferente é você s e envolver
tanto. Não quero ouvir que você se sente assim.” Era a verdade, era uma mentira.Mas o
egoísmo dentro de mim estava voando com o conhecimento de que ela queria o que eu
queria que ela quisesse. “Está errado. Não é seguro. Eu sou perigoso, Bella… Por favor,
entenda isso.”
“Não,” seus lábios estavam com uma pontada de petulância.
“Estou falando sério,”
Eu estava lutando comigo mesmo tão fortemente - meio desesperado para ela aceitar, meio
desesperado para manter as advertências de fugir - que vinham entre dentes, comigo quase
rugindo.
“Eu também,” ela insistiu, “Eu disse, não importa o que você seja. É tarde demais.”
Muito tarde? O mundo era desoladamente preto e branco para um interminável segundo, eu
assisti as sombras se espalhando sobre todo gramado ensolarado em direção a forma de
Bella dormindo na minha memória. Inevitável, impossível de parar. Eles roubavam a cor de
sua pele, e ela mergulhava nas trevas.
Muito tarde? A visão de Alice fez minha cabeça girar, os olhos vermelhos do sangue de
Bella me fizeram a fitar os olhos impassível. Inexpressivo - mas não havia nenhuma
maneira que ela não pudesse me odiar por esse futuro. Me odiar por roubar tudo dela.
Roubando sua vida e sua alma.
Eu não podia deixar ser tão tarde.
“Nunca mais diga isso,” eu a ssobiei.
Ela desviei o olhar para o lado de fora da janela, e mordeu os lábios novamente. Suas mãos
estavam apertadas sobre seu colo. Sua respiração se amarrou, e quebrou.
“No que está pensando?” eu tinha que saber.
Ela sacudiu a cabeça, sem olhar para mim. Eu vi uma coisa brilhar, como um cristal, em
sua bochecha.
Agonia. “Está chorando?” Eu havia feito ela chorar. Eu não gostei de tê -la ferido.
Ela esfregou as mãos sobre seu rosto.
“Não,” ela mentiu, sua voz estava falha.
Algum instinto enterrado me fez e stender a mão para pegar ela - naquele pequeno segundo
eu me senti mais humano que nunca. E então eu me lembrei que eu… Não era. E então eu
abaixei minha mão.
“Desculpe,” Eu disse, minha mandíbula trancada. Como eu poderia dizer a ela o quanto eu
estava arrependido? Arrependido por todos os estúpidos erros que eu tinha cometido.
Arrependido pelo meu egoísmo sem fim. Arrependido por ela ter inspirado em mim o meu
primeiro e trágico amor. Arrependido também das coisas além do meu controle - que eu
podia ser o monstro escolhido pelo destino para acabar com a vida dela em primeiro lugar.
Eu respirei fundo - ignorando a minha reação triste ao sabor no carro - e tentei me
recompor.
Eu tentei mudar de assunto, pensar em outra coisa. Para a minha sorte, a minha curi osidade
sobre essa garota continuava instável. Eu sempre tinha uma pergunta.
“Me diga alguma coisa,” eu disse.
“Sim?” ela perguntou roucamente, as lágrimas ainda estava em sua voz.
“O que você estava pensando hoje à noite, um pouco antes de eu aparecer na esquina? Eu
não consegui entender sua expressão - você não parecia assustada, você parecia
concentrada muito concentrada em alguma coisa.” Eu lembrei do rosto dela - forçando eu
mesmo a esquecer aqueles olhos pelos quais eu estava olhando - o olhar de determinação lá.
“Tentava me lembrar de como incapacitar um agressor…” ela disse, sua voz um pouco
mais composta. “Sabe como é, defesa pessoal . Eu ia esmagar o nariz dele no cérebro.”
A sua calma não durou ao fim da sua explicação. O seu tom torceu -se até que ele fervesse
em ódio.
Isso não foi nenhuma hipérbole, e sua fúria de gatinha agora não era engraçada.
Eu podia ver sua frágil figura - apenas seda por cima do vidro - ofuscada pelo desejo
pesado da carne - cruel dos monstros humanos que poderiam ter machu cado ela. A fúria
explodiu de novo em minha cabeça.
“Você ia lutar com eles?” eu queria urrar. Seus instintos eram mortais para ela mesmo.
“Não pensou em correr?”
“Eu caio muito quando corro,” ela disse com vergonha.
“E gritar por ajuda?”
“Eu ia chegar nesta parte.”
Eu balancei minha cabeça desacreditado. Como ela conseguiu se manter viva antes de vir
para Forks?
“Você tem razão,” eu disse a ela, avancei com minha voz irritada.
“Definitivamente estou lutando contra o destino tentando manter você viva.”
Ela suspirou, e olhou para fora da janela. E então ela olhou de volta para mim.
“Vou ver você amanhã?” ela exigiu abruptamente.
Desde de que eu já estava no meu caminho para o inferno - eu poderia aproveitar a jornada.
“Vai… também tenho que entregar um trabal ho.” Eu sorri para ela, e me senti bem com
isso. “Vou guardar um lugar pra você no refeitório.”
Eu ouvi o coração dela palpitar; meu coração morto repentinamente se sentiu aquecido.
Eu parei o carro em frente à casa do pai dela. Ela não fez nenhum moviment o para me
deixar.
“Promete estar lá amanhã?” ela insistiu.
“Prometo.”
Como fazer a coisa errada podia me dar tanta alegria? Claro que havia algo de explícito
nisso.
Ela acenou com a cabeça para ela mesma, satisfeita, e começou a tirar minha jaqueta.
“Você pode ficar com ele” eu assegurei rapidamente para ela. Eu queria muito deixá -la com
algo meu. Um símbolo, como a tampa de garrafa que estava em meu bolso agora… “Você
não tem um para usar amanhã.”
Ela estendeu-o para mim, sorrindo tristemente. “Eu não quer o ter que explicar ao Charlie”.
Eu imaginava que não. Eu sorri para ela. “Oh, tudo bem”.
Ela colocou a mão na maçaneta do carro e então parou. Relutante em ir embora, assim
como eu estava relutante por ela ir.
Por tê-la sem proteção, mesmo que por alguns momentos…
Peter e Charlotte estavam indo por seus caminhos agora, em direção a Seatlle, sem dúvida.
Mas há sempre outro. Esse mundo não era um lugar seguro para nenhum humano, e para
ela parecia ainda mais perigoso do que para o resto.
“Bella?” eu chamei, surpreso com o prazer de simplesmente dizer o seu nome.
“Sim?”
“Me promete uma coisa?”
“Sim” ela concordou facilmente, então seus olhos se estreitaram como se ela tivesse
encontrado uma razão para se opor.
“Não vá à floresta sozinha”. Eu a avisei, imaginand o se esse pedido seria a razão da
objeção em seus olhos.
Ela piscou, surpresa. “Por quê?”
Eu olhei fixamente em direção à escuridão nem um pouco confiável. A carência de luz não
era problema para os meus olhos, mas também não seria problema pra qualquer ou tro
caçador. Ela somente cegava os humanos.
“Nem sempre eu sou a coisa mais perigosa lá fora.” Eu disse a ela “Vamos ficar aqui”.
Ela se arrepiou, mas se recompôs rapidamente e estava sorrindo quando me disse “Como
você quiser”.
Sua respiração tocou o meu rosto, tão doce e perfumada.
Eu podia ficar aqui a noite toda desse jeito, mas ela precisava dormir. Os dois desejos
pareciam igualmente fortes enquanto eles continuavam batalhando dentro de mim: querer
ela versus querer que ela ficasse a salvo.
Eu suspirei sobre as duas possibilidades. “Até amanhã”, eu disse, sabendo que eu iria vê -la
muito mais cedo que isso. Ela não iria ME ver até amanhã, no entanto.
“Até amanhã, então” ela concordou enquanto abria a porta.
Aflição novamente, a vendo partir.
Eu me inclinei atrás dela, querendo segurá-la aqui. “Bella?”
Ela se virou e então congelou, surpresa por ver nossos rostos tão perto.
Eu, também, estava estupefato pela proximidade. O calor que emanava dela acariciava meu
rosto. Eu conseguia até sentir o toque de vel udo de sua pele…
As batidas de seu coração hesitaram, e seus lábios cheios se abriram.
“Durma bem” eu suspirei e me afastei antes que a urgência de meu corpo - ou a sede
familiar ou esse novo desejo humano que eu senti de repente - me fizesse fazer algo que
pudesse machucá-la.
Ela permaneceu sentada sem se movimentar por alguns momentos, seus olhos arregalados e
atordoados. Deslumbrada, eu pensei.
Assim como eu estava.
Ela se recuperou - apesar de seu rosto ainda estar um pouco confuso - e saiu estranhamente
do carro, com passos curtos e tendo que se segurar nas laterais do carro para se endireitar.
Eu ri - na esperança que tenha sido baixo o suficiente para ela não ouvir.
Eu a vi tropeçando pelo caminho até a parte iluminada que vinha da porta da frente. Se gura
por enquanto. E eu voltaria em breve para ter certeza.
Eu podia sentir seus olhos me acompanhando enquanto eu dirigia pela rua escura. Uma
sensação tão diferente do que eu estava acostumado. Normalmente, eu simplesmente me
veria através dos olhos da pessoa, onde eu estaria na mente. Isso era estranhamente
excitante - essa sensação incompreensível de estar sendo vigiado. Eu sabia que isso era
somente por serem seus olhos.
Um milhão de pensamentos passou ferozmente um atrás do outro pela minha cabeça
enquanto eu dirigia sem rumo pela noite.
Por um bom tempo eu circulei pelas ruas, indo para lugar algum, pensando em Bella e na
libertação de ter a verdade descoberta. Não mais eu teria que ter medo de ela descobrir o
que eu era. Ela sabia. E não importava pa ra ela. Mesmo que fosse obviamente uma coisa
ruim para ela, era impressionantemente libertador para mim.
Mais que isso, eu pensava em Bella e no amor compensatório. Ela não podia me amar da
forma como eu a amava - de um jeito tão poderoso, extremamente int enso, consumir esse
amor iria provavelmente quebrar o seu corpo frágil. Mas ela se sentia forte o suficiente. O
suficiente para subjugar o medo instintivo. O suficiente para querer estar perto de mim. E
estar com ela era a maior felicidade que eu podia con hecer.
Por um tempo - eu estive totalmente sozinho e não machucando ninguém de qualquer
forma - eu me permiti sentir aquela felicidade sem resultar em tragédia. Somente sendo
feliz por ela se importar comigo. Somente me regozijando por ter ganhado a sua af eição.
Somente imaginando dia após dia sentado ao seu lado, ouvindo sua voz e recebendo seus
sorrisos.
Eu re-vi aquele sorriso em minha cabeça, observando seus lábios cheios se erguerem nos
cantos, um sinal de uma covinha que se mostrava na ponta de seu qu eixo, o modo como
seus olhos se aqueciam e derretiam… Seus dedos tinham um toque tão quente e delicado
em minha mão essa noite. Eu imaginava em como devia ser tocar a sua delicada pele que se
esticava por cima de suas bochechas - sedoso, quente… tão frágil . Seda por cima de
vidro… espantosamente quebrável.
Eu não podia ver para onde os pensamentos estavam indo até que fosse muito tarde.
Enquanto eu discorria sobre aquela vulnerabilidade devastadora, novas imagens de seu
rosto se introduziram em minhas fanta sias.
Perdida nas sombras, pálida de medo - ainda assim sua mandíbula firme e determinada,
seus olhos ferozes, cheios de concentração, o seu corpo delgado fixado em bater nas formas
pesadas que se reuniram em volta dela, pesadelos na escuridão…
“Ah,” eu rosnei enquanto a raiva crescente que eu havia esquecido na alegria de amá -la
queimava novamente como um inferno de ódio.
Eu estava sozinho. Bella estava, eu acreditava, salva em sua casa; por um momento eu
estava ferozmente feliz que Charlie Swan - o braço forte da lei local, treinado e armado -
fosse seu pai. Isso devia significar alguma coisa, como providenciar alguma proteção a ela.
Ela estava segura. Não me levaria muito tempo para eu me vingar daquele ultraje…
Não. Ela merecia coisa melhor. Eu não podia me permitir que ela se importasse com um
assassino.
Mas… e quanto às outras?
Bella estava segura, sim. Angela e Jessica também com certeza, seguras em suas camas.
Ainda assim tinha um monstro solto pelas ruas de Port Angeles. Um monstro humano - isto
faria dele um problema dos humanos? Cometer o crime pelo qual ansiava era errado.
Eu sabia disso. Mas deixá-lo livre para atacar de novo também não podia ser a coisa certa.
A maitre loira do restaurante. A garçonete que eu não tinha prestado atenção. As duas m e
irritaram de jeitos insignificantes, mas isso não significava que mereciam ficar em perigo.
Uma das duas podia ser a Bella de alguém.
Essa realização me decidiu.
Virei o carro para o norte, acelerando agora que tinha um propósito. Sempre que eu tinha
um problema além de mim - algo tangível como isso - sabia onde podia procurar ajuda.
Alice estava sentada na entrada, esperando por mim. Parei em frente à casa ao invés de ir
até a garagem.
- “Carlisle está no escritório.” - ela me disse antes que pudesse per guntar.
- “Obrigado.” - eu disse, bagunçando seu cabelo quando passei.
Obrigada por voltar minha ligação , ela pensou sarcasticamente.
- “Ah.” - eu parei à porta, pegando meu celular e o abrindo. - “Desculpe. Eu nem chequei
para ver quem era. Estava ocupado .”
- “É, eu sei. Desculpe também. A hora que eu vi o que ia acontecer, você já estava indo.”
- “Foi por pouco.” - eu murmurei.
Desculpe, ela repetiu, envergonhada.
Era fácil ser generoso, sabendo que Bella estava bem. - Não fique assim. Eu sei que você
não pode ver tudo. Ninguém espera que seja onisciente.
- “Obrigada.”
- “Eu quase a chamei para jantar hoje - viu isso antes que eu mudasse de idéia?”
Ela sorriu. - “Não, perdi essa também. Queria ter sabido. Teria ido.”
- “Em que você esteve se concentrando, para ter perdido tanta coisa?”
Jasper está pensando no nosso aniversário. Ela riu. Ele está tentando não decidir meu
presente, mas acho que tenho uma boa idéia…
- “Você é descarada.”
- “Sim.”
Ela franziu os lábios, e olhou para mim, um sinal de acusação em sua expressão. Prestei
mais atenção depois. Vai contar a eles que ela sabe?
Eu suspirei. - “Sim. Depois.”
Não vou dizer nada então. Me faça um favor e conte a Rosalie quando eu não estiver por
perto, está bem?
Eu encolhi. - “Claro.”
Bella levou a coisa toda muito bem.
- “Bem demais.”
Alice sorriu para mim. Não subestime a Bella.
Eu tentei bloquear a imagem que não queria ver - Bella e Alice, melhores amigas.
Impaciente agora, eu suspirei pesadamente. Queria passar para essa próxima parte da noite;
queria terminar com ela. Mas estava um pouco preocupado em deixar Forks…
- “Alice…” - eu comecei. Ela viu o que eu queria perguntar.
Ela ficará bem hoje à noite. Vou prestar mais atenção agora. Ela meio que precisa de
supervisão vinte e quatro horas por dia, não é ?
- “Pelo menos.”
- “De qualquer jeito, você estará com ela rápido.”
Respirei fundo. Essas palavras eram lindas para mim.
- “Vai lá - termine com isto para que possa estar onde quer.” - ela me disse.
Eu concordei, e me apressei para o quarto de Carlisle.
Ele estava esperando por mim, seus olhos na porta em vez de no livro grosso que estava em
sua mesa.
- “Ouvi Alice dizendo onde me encontrar.” - ele disse, e sorriu.
Foi um alívio estar com ele, ver a empatia e inteligência profunda em seus olhos. Carlisle
saberia o que fazer.
- “Preciso de ajuda.”
- “Qualquer coisa, Edward.” - ele prometeu.
- “Alice lhe disse o que aconteceu a Bella hoje à noite?”
Quase aconteceu, ele acrescentou.
- “Sim, quase. Estou com um dilema, Carlisle. Veja eu quero… muito… matá -lo. - As
palavras começaram a surgir rápidas e cheias de ódio. - Muito mesmo. Mas sei que isso
seria errado, porque seria vingança e não justiça. Só raiva, sem imparcialidade. Mesmo
assim, não seria certo deixar um estuprador e assassino em série vagar por Port Angeles!
Não conheço os humanos por lá, mas não posso deixar que outra pessoa pegue o lugar de
Bella como vítima dele. Aquelas outras mulheres - alguém pode sentir por elas o que eu
sinto pela Bella. Talvez sofra o que eu teria sofrido se ela tivesse sido machucada. Não é
certo…”
Seu sorriso largo e inesperado parou meu afluxo que palavras.
Ela é muito boa para você, não é? Tanta compaixão, tanto controle. Estou impressionado.
- “Não estou querendo ouvir elogios.”
- “Claro que não. Mas não posso evitar meu s pensamentos, posso?” - Ele sorriu de novo. -
“Vou cuidar disso. Pode descansar em paz. Ninguém será machucado no lugar de Bella.”
Vi o plano na cabeça dele. Não era exatamente o que eu queria, não satisfez minha cobiça
de brutalidade, mas podia ver na me nte dele que era a coisa certa.
- “Vou mostrar onde você pode encontrá -lo.” - eu disse.
- “Vamos.”
Ele pegou sua maleta preta no caminho. Eu teria preferido uma forma mais agressiva de
sedação - como um crânio partido - mas deixaria Carlisle fazer isso do jeito dele.
Fomos com o meu carro. Alice ainda estava nas escadas da entrada. Ela sorriu e acenou
quando nos afastamos. Eu vi que ela tinha procurado o meu futuro; não teríamos
dificuldades.
A viagem foi curta pela estrada escura e vazia. Desliguei meus fa róis para evitar chamar
atenção. Me fez sorrir pensar como Bella teria reagido a essa velocidade.
Carlisle estava pensando em Bella também.
Eu não previ que ela fosse ser tão boa para ele. Isso é inesperado. Talvez fosse para
acontecer. Talvez seja um propósito divino. Só que…
Ele imaginou Bella com a pele fria e olhos vermelho - sangue, e se afastou da imagem.
Sim. Só que. De fato. Porque que bem há em destruir uma coisa tão pura e adorável?
Adentrei com fúria na noite, depois de toda a alegria do entardec er ser destruída pelos seus
pensamentos.
Edward merece ser feliz. É um direito dele . A ferocidade dos pensamentos de Carlisle me
surpreenderam. Tem que existir uma maneira.
Eu gostaria de acreditar nisso - ao menos um pouco. Mas não havia um propósito maio r
para o que estava acontecendo com Bella. Apenas um destino amargo e vicioso que não
podia dar a ela a vida que merecia.
Eu não me demorei em Port Angeles. Eu levei Carlisle ao local onde a criatura chamada
Lonnie estava descontando sua decepção com seus amigos - dois dos quais já haviam
passado. Carlisle pode ver o quão difícil era para mim estar tão perto - e ouvir os
pensamentos do monstro e ver suas memórias, as memórias de Bella misturadas com as de
garotas menos afortunadas que já não mais poderiam s er salvas.
Minha respiração acelerou e segurei firme no volante.
Vá, Edward, ele me disse gentilmente. Eu deixarei o restante deles em segurança. Você
deve voltar para Bella.
Era exatamente a coisa certa a dizer. O nome dela era a única distração que signi ficava algo
para mim agora.
Eu o deixei no carro e voltei correndo para Forks, em uma linha reta através da floresta
adormecida. Levou menos tempo do que a primeira viagem de carro. Apenas poucos
minutos depois eu escalei a parede da casa dela e deslizei a janela para fora do meu
caminho.
Eu suspirei silenciosamente em alívio. Tudo estava como deveria. Bella estava a salvo em
sua cama, sonhando, seus cabelos úmidos emaranhados como algas pelo travesseiro.
Mas, diferente de outras noites, ela estava encolhid a com os cobertores enrolados acima dos
seus ombros. Frio, eu imaginei. Antes que eu pudesse me acomodar em meu acento usual,
ela teve calafrios em seu sono e seus lábios estremeceram.
Eu hesitei por um breve momento e então me movi para o corredor, explor ando uma nova
parte da casa pela primeira vez.
O ronco de Charlie era alto e peculiar. Eu praticamente podia pegar a margem do seu
sonho. Algo com água corrente e uma espera paciente… pescaria, talvez?
Lá, no alto da escadaria, havia um armário promissor. Eu a abri e encontrei o que
procurava. Escolhi o cobertor mais grosso dentre as finas peças de linho e o levei para o
quarto dela. Eu o guardaria de volta antes que ela acordasse, assim ninguém se daria conta.
Segurando minha respiração, eu cuidadosamente abri o cobertor sobre ela; sem que ela
reagisse ao peso adicional. Voltei então para a minha cadeira.
Enquanto eu esperava ansiosamente para que ela se aquecesse, eu pensei em Carlisle,
imaginando onde ele estaria agora. Eu sabia que seu plano daria certo - Alice havia previsto
isso.
Pensar no meu pai me fez suspirar - Carlisle me deu muito crédito. Eu gostaria de ser a
pessoa que ele imaginava que eu fosse. Aquela pessoa, merecedora de felicidade, poderia
esperar ser merecedor desta garota adormecida. Como as coisas seriam diferentes se eu
fosse aquele Edward.
Enquanto eu ponderava isto, uma imagem estranha e indesejada preencheu minha mente.
Por um momento, a velha vidente que eu havia imaginado, a mesma que previu a
destruição de Bella, foi trocada pelo m ais tolo e desajeitado dos anjos. Um anjo da guarda -
algo que a minha versão imaginada por Carlisle poderia ter. Com um sorriso despreocupado
nos seus lábios, seus olhos da cor do céu cheios de provocação, o anjo formava Bella de tal
modo que seria impossível que eu não a notasse. Um odor incrivelmente potente que exigia
minha atenção, uma mente silenciosa para inflamar minha curiosidade, uma beleza calma
para prender meus olhos, uma alma altruísta para ganhar meu respeito. Deixado de lado o
sentido natural de auto-preservação - assim Bella podia suportar o fato de estar próxima a
mim - e finalmente adicionada um uma larga dose de má sorte.
Com uma gargalhada inconseqüente, o anjo irresponsável empurrou sua frágil criação
diretamente para o meu caminho, con fiando descuidadamente na minha moralidade
maculada para manter Bella viva.
Nesta visão, eu não era a condenação de Bella; ela era minha recompensa.
Eu balancei minha cabeça com a fantasia do anjo inimaginável. Ela não era muito melhor
do que a harpia. Eu não poderia conceber um poder maior que agisse de maneira tão
perigosa e estúpida. Pelo menos, contra a vidente horrorosa eu poderia lutar.
E eu não tinha nenhum anjo. Eles eram reservados para os bons - para pessoas como Bella.
Então onde estaria o anjo dela no meio disso tudo? Quem estava tomando conta dela?
Eu ri silenciosamente, perplexo, enquanto realizava que nesse momento era eu quem estava
cumprindo aquele papel.
Um anjo vampiro - havia uma boa distância entre as duas coisas.
Depois de cerca de meia hora, Bella relaxou. Sua respiração se tornou mais profunda e ela
começou a murmurar. Eu sorri, satisfeito. Era uma pequena coisa, mas pelo menos ela
estava dormindo mais confortavelmente esta noite, por eu estar aqui.
“Edward” ela sussurrou, e sorriu também.Eu empurrei a tragédia de lado, por um momento, e me permiti ser feliz novamente.

Capítulo 09 - Port Angeles (midnight sun)

Estava muito claro pra eu dirigir pelo centro quando eu cheguei à Port Angeles; o sol ainda
estava muito elevado, e apesar de que os meus vidros eram fumês, não havia nenhum
motivo para tomar riscos desnecessários. Mais riscos desnecessários, eu diria.
Eu estava certo de que eu acharia os pensamentos de Jessica longe - os pensamentos de
Jessica eram mais altos que os de Angela, mas quando eu achasse o primeiro (pensamento),
eu conseguiria ouvir o segundo. Então, quando as sombras se encompridavam, eu poderia
chegar mais perto. Por hora, eu saí da estrada e fui para uma gramada garagem que ficava
fora da cidade que parecia não ser utilizada.
Eu sabia o lugar para procurar - apenas havia só um lugar para a compra de vestidos em
Port Angeles. Não muito antes, eu achei Jessica, se olhando na frente de um espelho de três
lados, e eu conseguia ver Bella em sua visão periférica, aprovando o longo vestido preto
que ela usava.
Bella ainda parece zangada. Ha ha. Angela estava certa - Tyler estava se achando. Apesar
de que eu não acredito que ela está tão chateada sobre isso. Pelo menos ela sabe que ela
tem um acompanhante reserva para o baile. E se Mike não tiver se divertindo no baile, e
ele não me convide para sair de novo? E se ele convidar a Bella para o baile? Será que ela
teria convidado o Mike para o baile se eu não tivesse dito nada? Será que ele acha que ela
é mais bonita que eu?
“Eu acho que eu gosto mais do azul. Ele realça os seus olhos.”
Jessica sorriu para Bella com fals o entusiasmo, enquanto a olhava com suspeita.
Será que ela acha isso mesmo? Ou ela quer que eu pareça como uma vaca no Sábado?
Eu já estava cansado de ficar ouvindo Jessica. Eu procurei por Angela - ah, mas Angela
estava no processo de provar os vestidos, e eu saí rapidamente da sua cabeça para dá -la
mais privacidade.
Bem, não havia muitos problemas que Bella poderia se meter numa loja de departamentos.
Eu as deixaria comprando e depois as alcançaria quando tivessem acabado. Não faltaria
muito para anoitecer, as nuvens estavam começando a voltar, sendo levadas para o oeste.
Eu somente poderia pegar reflexos delas através das grandes árvores, mas eu podia ver
como elas apressavam o pôr-do-sol. Eu as recebi, desejando-as mais do que eu jamais havia
antes desejado por suas sombras. Amanhã eu poderia me sentar ao lado de Bella na escola
de novo, exigindo sua atenção no almoço novamente. Eu poderia perguntar pra ela todas as
coisas que eu havia guardado…
Então, ela estava furiosa com a presunção de Tyler. Eu vi aq uilo na mente dele - que ele
havia falado sério quando falou sobre o baile, que ele estava confirmando. Eu lembrei da
expressão dela daquela outra tarde - a escandalizada descrença - e eu ri. Me perguntei o que
ela diria pra ele sobre isso. Eu não gostaria de perder a reação dela.
O tempo passou devagar enquanto eu esperava pelas sombras se alongarem. Eu checava
com freqüência a Jessica; a sua voz mental era a mais fácil de ser achar, mas eu não gostava
de me demorar lá dentro por muito tempo. Eu vi o lugar que elas estavam planejando para
comer. Estaria escuro na hora do jantar… talvez eu coincidentemente escolheria o mesmo
restaurante. Peguei o celular do meu bolso, pensando em convidar Alice para comer fora…
Ela adoraria isso, mas ela também iria querer f alar com Bella. Eu não tinha certeza se eu
estava pronto para envolver mais a Bella em meu mundo. Um vampiro não era problema
suficiente?
E chequei a mente de Jessica de novo. Ela estava pensando sobre suas jóias, perguntando a
opinião de Angela.
“Talvez eu deva devolver o colar. Eu tenho um em casa que deveria servir, e eu gastei mais
do que eu deveria…” Minha mãe vai enlouquecer. No que eu estava pensando?
“Eu não me importo em voltar para a loja. Mas, você não acha que a Bella vai estar
procurando por nós?
O que era isso? Bella não estava com elas? Eu fitei os olhos de Jessica primeiro, e depois
troquei para Angela. Elas estavam na calçada em frente de umas lojas, já mudando de
direção. Bella não estava em nenhum lugar em vista.
Oh, quem se importa com a Bella? Jess pensou, impacientemente, antes de responder a
pergunta de Angela. “Ela está bem. Nós chegaremos no restaurante a tempo, mesmo se nós
voltarmos (para a loja). De qualquer forma, eu acho que ela queria estar sozinha.” Eu
peguei um breve vislumbre da livraria que Jessica achava que a Bella teria ido.
“Vamos nos apressar, então,” Angela disse. Espero que Bella não ache que nós a
abandonamos. Antes, no carro, ela foi tão boa comigo… Ela é mesmo uma pessoa muito
gentil. Mas ela parecia meio triste o d ia inteiro. Pergunto-me se era por causa do Edward
Cullen? Aposto que era por isso que ela estava perguntando sobre a família dele…
Eu deveria ter prestado mais atenção. O que eu teria perdido lá? Bella estava andando
sozinha, e ela tinha perguntado por mim antes? Angela estava prestando atenção à Jessica
agora - Jessica estava tagarelando sobre aquele idiota do Mike - e eu não podia arrancar
mais nada dela.
Eu julguei as sombras. O sol estaria atrás das nuvens logo o suficiente. Se eu ficasse no
lado oeste da estrada, onde os prédios estariam escurecendo a rua da luz fraca…
Eu comecei a me sentir impaciente enquanto eu dirigia pelo pouco engarrafamento pro
centro da cidade. Isso não era algo em que eu havia considerado - Bella andando sozinha - e
eu não tinha a mínima idéia de como achá -la. Eu deveria ter considerado isso. Bella estava
sempre fazendo a coisa errada.
Eu conhecia bem Port Angeles; eu dirigi diretamente para a livraria da mente de Jessica,
esperando que a minha busca fosse curta, mas duvidando que fosse fácil. Quando que Bella
facilitava as coisas?
Sem dúvida, a pequena loja estava vazia, exceto por uma mulher vestida de maneira
antiquada atrás do balcão. Esse não parecia com o tipo de lugar que Bella estaria
interessada - muito new age para uma pessoa prática. Eu me pergunto se ela ao menos se
incomodou a entrar?
Havia um lugar com sombra que eu poderia estacionar… Fazia um caminho escuro para a
loja. Eu realmente não deveria. Andando por aí nas horas do dia não era seguro. E se um
carro que passasse refletisse a luz do sol para a sombra justamente na hora errada?
Mas eu não sabia outro jeito de procurar pela Bella!
Eu estacionei e saí, me mantendo no canto mais fundo da sombra. Caminhei rapidamente
para a loja, percebendo o fraco rastro do cheir o da Bella no ar. Ela esteve aqui, na calçada,
mas não havia nenhuma pista de sua fragrância dentro da loja.
“Bem vindo! Poderia te ajudar - ” a vendedora começou a dizer, mas eu já estava do lado
de fora da porta.
Eu seguiria o cheiro da Bella até aonde a sombra permitiria, parando quando eu chegasse na
beira da luz do sol.
Quão impotente que isso me fez sentir - cercado pela linha entre a escuridão e a luz que se
estendia até a calçada na frente minha frente. Tão limitado.
Eu só podia adivinhar que ela continuou pela rua, indo para o sul. Não havia muito
seguindo aquela direção. Ela estava perdida? Bom, essa possibilidade parecia exatamente
como o caráter dela.
Eu voltei para o carro e dirigi devagar pelas ruas, procurando por ela. Eu saí para alguns
outros caminhos com sombras, mas eu só senti o seu cheiro mais uma vez, e o rumo disso
me confundiu. Onde ela estava tentando ir?
Dirigi de volta e adiante entre a loja e o restaurante algumas vezes, esperando ver ela em
seu caminho. Jessica e Angela já estavam lá, tentando decidir se pediam (a janta), ou se
esperavam pela Bella. Jessica já estava pensando em pedir imediatamente.
Eu comecei a passar rapidamente pela mente de estranhos, olhando através de seus olhos.
Com certeza alguém deve ter visto ela em algum lugar.
Mais tempo que ela ficava perdida, mais eu ficava impaciente. Eu não tinha considerado
antes quão difícil que era pra achá -la, como agora, ela estava fora de minha vista e fora de
seus caminhos normais. Eu não gostava disso.
As nuvens estavam se acumulando no horizonte, e, em alguns poucos minutos, eu estaria
livre para localizá-la a pé. Então não me levaria muito tempo. Era somente o sol que me
fazia tão paralisado agora. Apenas mais alguns minutos, e então a vantagem seria minha
novamente e o mundo humano que seria impotente.
Outra mente, e mais outra. Tantos pensamentos banais.
…acho que o bebê tem outra infecção no ouvido…
Era 18:40 ou 18:04…?
Atrasado de novo. Eu devia contar pra ele…
Aqui ela vem! Aha!
Ali, finalmente, estava o rosto dela. Fina lmente, alguém tinha reparado nela!
Aquele alívio só durou por uma fração de segundo, e então eu li mais os pensamentos do
homem que estava olhando para o rosto dela fixamente nas sombras.
A mente dele era a de um estranho para mim, e mesmo assim, completa mente familiar. Eu
já havia caçado exatamente tal mente.
“NÃO!” Eu rugi, e um nó apertou a minha garganta. Meu pé afundou no acelerador, mas
pra onde eu estava indo?
Eu sabia mais ou menos o rumo dos seus pensamentos, mas isso não era específico o
suficiente. Alguma coisa, deveria haver alguma coisa - uma placa de rua, a frente de uma
loja, alguma coisa na sua vista que entregaria a sua localização. Mas Bella estava bem na
escuridão, e os olhos dele estavam focados somente na expressão apavorada dela -
saboreando o medo lá.
O rosto dela estava nublado na mente dele pela memória de outros rostos. Bella não era a
sua primeira vítima.
O som dos meus rosnados tremeu a estrutura do carro, mas não me distraíram.
Não havia janelas na parede atrás dela. Algum lugar industrial, longe da região de compras
que era mais povoada. Meu carro derrapou na esquina, desviando de um outro veículo, indo
na direção que eu esperava ser o caminho certo. Enquanto o outro carro buzinava, o som já
estava bem atrás de mim.
Olha como ela ta tremendo! O homem riu em expectativa. O medo era a atração para ele - a
parte que ele adorava.
“Fique longe de mim.” A voz dela era baixa e firme, não como um grito.
“Não seja assim, docinho.”
Ele viu ela hesitar quando uma rude risada veio de uma outr a direção. Ele estava irritado
com o barulho - Cale a boca, Jeff! Ele pensou - mas gostou do modo como ela se encolheu
de medo. Excitava ele. Ele começou a imaginar a suplicação, o modo como ela
imploraria…
Eu não tinha percebido que havia outros com ele a té que eu ouvi aquela alta risada. Eu
procurei nele, desesperado por alguma coisa que eu pudesse usar. Ele estava dando o
primeiro passo na direção dela, movimentando suas mãos.
As mentes perto dele não eram o lixo que ele era. Eles estavam um pouco embria gados,
nenhum deles percebendo quão longe o homem que eles chamava de Lonnie planejava
seguir com isso. Eles estavam seguindo Lonnie cegamente. Ele tinha prometido pra eles um
pouco de divertimento…
Um deles olhou para a rua, nervoso - ele não queria ser pego assediando a garota - e me deu
o que eu precisava. Eu reconheci a rua que ele encarou.
Eu passei por um sinal vermelho, correndo através de um espaço amplo apenas o suficiente
entre dois carros no engarrafamento. Buzinas fazendo barulho atrás de mim.
Meu celular vibrou no meu bolso. Eu ignorei.
Lonnie se movia devagar para a garota, atraindo o suspense - o momento do terror que
excitava ele. Ele esperou pelo grito dela, se preparando para saboreá -lo.
Mas Bella trancou sua mandíbula, e se abraçou. Ele es tava surpreso - ele esperava que ela
tentasse fugir. Surpreso e levemente desapontado. Ele gostava de perseguir a sua presa, a
adrenalina da caçada.
Corajosa, essa. Talvez melhor, eu acho… mais luta nela.
Eu estava a um quarteirão de distância. O monstro p oderia escutar o rugido do meu motor
agora, mas ele não deu atenção, bem atento em sua vítima.
Eu veria como ele se divertia na caçada quando ele seria a presa. Eu veria o que ele pensava
do meu estilo de caçar.
Em outra parte da minha cabeça, eu já estava escolhendo os tipos de torturas que eu havia
presenciado nos meus tempos de vigilante, procurando pela tortura mais dolorosa. Ele
sofreria por isso. Ele iria se contorcer em agonia. Os outros iriam meramente morrer por
suas participações nisso, mas o mons tro chamado Lonnie imploraria pela morte bem antes
de eu ceder pra ele esse presente.
Ele estava atravessando a rua, na direção dela.
Eu virei a esquina, rapidamente, meus faróis clareando a cena e paralisando eles no lugar.
Eu poderia ter atropelado o líder, que saiu do caminho, mas essa era uma morte muito fácil
para ele.
Eu deixei o carro deslizar, virando pra que ficasse de frente pro caminho que eu cheguei e a
porta do carro ficasse perto de Bella. Eu abri a porta, e ela já estava correndo para o carro .
“Entre,” Eu resmunguei.
Que diabos?
Sabia que isso era uma péssima idéia! Ela não está sozinha.
Eu deveria correr?
Acho que vou vomitar…
Bella saltou para a porta aberta sem hesitar, puxando e fechando a porta atrás dela.
E então ela me olhou com uma exp ressão de verdadeira confiança que eu nunca havia visto
num rosto humano, e todos os meus violentos planos desmoronaram.
Levou-me muito menos de um segundo para eu ver que eu não poderia deixá -la no carro
para lidar com os quatro homens na rua. O que eu di ria à ela, para não olhar? Ha! Quando
que ela faz sempre o que eu peço? Quando que ela sempre faz a coisa segura?
Eu iria arrastá-los para longe, pra fora da visão dela, e deixá -la sozinha aqui? Eram poucas
as chances que outro humano perigoso estaria rond ando as ruas de Port Angeles esta noite,
as chances eram poucas como essa era até o primeiro! Como um imã, ela atrai todas as
coisas perigosas para ela mesma. Eu não poderia deixá -la fora de vista.
Seria como parte do mesmo movimento para ela quando eu ace lerei, tirando ela dos seus
perseguidores tão rapidamente que eles ficaram boquiabertos atrás do meu carro com
expressões incompreensíveis. Ela não perceberia meu instante de hesitação. Ela presumiria
que o plano era escapar desde o começo.
Eu nem conseguiria bater nele com o meu carro. Aquilo iria assustar ela.
Eu queria a morte dele tão brutalmente que a necessidade por isso chiou nos meus ouvidos
e nublou a minha visão e era um sabor na minha língua. Meus músculos estavam
amontoados com a urgência, o des ejo, a necessidade por isso. Eu tinha que matá-lo. Eu iria
descascá-lo aos poucos lentamente, pedaço por pedaço, pele do músculo, músculo de
osso…
Exceto que a garota - a única garota no mundo - estava agarrada no seu banco com as duas
mãos, me encarando, seus olhos ainda muito abertos e totalmente confiando em mim. A
vingança teria que esperar.
“Bote o seu cinto,” Eu mandei. Minha voz foi áspera por causa do ódio e da sede de
sangue. Não a comum sede de sangue. Eu não me sujaria ao ponto de pegar qualquer parte
daquele homem pra dentro de mim.
Ela botou o cinto de segurança no lugar, se sobressaltando levemente com o som feito.
Aquele pequeno som fez ela se sobressaltar, mesmo que ela não tenha demonstrado medo
quando eu rasguei pela cidade, ignorando todos os sinais de trânsito. Eu poderia sentir seus
olhos em mim. Ela parecia estranhamente relaxada. Não faz sentido - não com o que ela
acabou de passar.
“Você está bem?” ela perguntou, sua voz áspera por causa do estresse e do medo.
Ela queria saber se eu estava bem?
Eu pensei por uma fração de segundo na pergunta dela. Não muito para que ela notasse a
minha hesitação. Eu estava bem?
“Não,” eu percebi, e o meu tom ferveu com a raiva.
Eu a levei pelo mesmo caminho que eu passei esta tarde, ocupado na mais pobr e vigilância
que já existiu. Estava escuro agora, embaixo das árvores.
Eu estava tão furioso que o meu corpo paralisou no lugar, totalmente imóvel. Minhas mãos
frias que estavam fechadas desejavam esmagar o agressor dela, pulverizar ele em pedaços
tão mutilados que o seu corpo nunca poderia ser identificado…
Mas isso exigiria deixá-la aqui sozinha, desprotegida na noite escura.
“Bella?” Eu perguntei entre os dentes.
“Sim?” Ela respondeu roucamente. Ela limpou a garganta.
“Você está bem?” Aquilo era mesmo a coisa mais importante, a primeira prioridade.
Castigo era secundário. Eu sabia disso, mas o meu corpo estava tão cheio de raiva que era
difícil pensar.
“Sim.” A voz dela ainda estava grossa - com medo, sem dúvida.
E então eu não poderia deixá-la.
Mesmo que ela não esteja em risco constante por alguma razão irritante - alguma piada que
o universo estava pregando em mim - mesmo se eu tivesse certeza que ela estaria
perfeitamente segura em minha ausência, eu não poderia deixá -la sozinha no escuro.
Ela deve estar tão assustada.
E mesmo assim eu não tinha condições de consolá -la - mesmo se eu soubesse exatamente
como seria consolá-la, que eu não sabia. Com certeza ela conseguia sentir a brutalidade
radiando em mim, com certeza seria aquele o motivo óbvio. Eu iria assustá-la ainda mais se
eu não acalmasse o desejo de massacre fervendo dentro de mim.
Eu precisava pensar em alguma outra coisa.
“Me distraia, por favor,” eu implorei.
“Desculpe-me, o que?”
Eu mal tinha controle suficiente para tentar explicar do que eu precisava.
“Apenas fale sobre algo sem importância até eu me acalmar,” eu instruí, minha mandíbula
ainda trancada. Só o fato de que ela precisava de mim me segurava dentro do carro. Eu
podia ouvir os pensamentos do homem, seu desapontamento e sua raiva… Eu sabia onde
achá-lo… Fechei os meus olhos, desejando que eu não pudesse vê -lo de qualquer forma…
“Um…” ela hesitou - tentando achar um sentido para o meu pedido, eu imaginei. “Eu irei
atropelar Tyler Crowley amanhã na frente da escola?” Ela disse isso como se fosse uma
pergunta.
Sim - era isso que eu precisava. É claro que Bella apareceria com algo inesperado. Como
antes, a ameaça de violência vindo de seus lábios era hilária - tão cômica que era estridente.
Se eu não estivesse queimando com o desejo de mat ar, eu teria rido.
“Por quê?” eu gritei, para forçá -la a falar novamente.
“Ele está contando para todo mundo que me levará para o baile,” ela disse, sua voz cheia
com o seu escândalo de gata selvagem. “Ou ele está louco ou ele ainda está tentando se
desculpar por quase ter me matado na última… bem, você lembra disso,” ela completou
com indiferença, “e ele acha que o baile é de alguma maneira o melhor jeito de corrigir
isso. Então eu pensei que se eu pusesse em perigo a sua vida, então nós estaremos quites, e
ele não vai poder tentar corrigir. Eu não preciso de inimigos e talvez Lauren desistisse se
ele me deixasse em paz. Apesar que eu teria que destruir totalmente o seu Sentra,” ela
continuou, pensativa agora. “Se ele não tiver um veículo ele não pode levar ninguém pro
baile…”
Era animador ver que às vezes ela entende as coisas erradas. A persistência de Tyler não
tem nada haver com o acidente. Ela não parece entender a atração que ela causa garotos
humanos da escola. Ela não via a atração que eu tinha por e la também?
Ah, estava funcionando. O processo confuso da mente dela sempre foi chamativo. Eu
estava começando a ganhar controle de mim mesmo, a ver alguma coisa além da vingança e
da tortura…
“Eu soube disso,” eu disse pra ela. Ela tinha parado de falar, e eu precisava que ela
continuasse.
“Você soube?” ela perguntou duvidosamente. E então a sua voz estava mais zangada do que
antes. “Se ele ficar paralisado do pescoço pra baixo, ele não pode ir pro baile também.”
Eu desejei que houvesse alguma maneira que e u pudesse perguntá-la para continuar com as
ameaças de morte e dano corporal sem parecer loucura. Ela não poderia ter escolhido uma
maneira melhor para me acalmar. E suas palavras - apenas sarcasmo no seu caso, exagero -
eram um lembrete do que eu mais pre cisava neste momento.
Eu suspirei, e abri meus olhos.
“Melhor?” Ela perguntou timidamente.
“Não realmente.”
Não, eu estava mais calmo, mas não melhor. Porque eu acabei de perceber que eu não
poderia matar o monstro chamado Lonnie, e eu ainda queria isso qu ase mais do que outra
coisa no mundo. Quase.
A única coisa neste instante que eu queria mais do que um grande justificável assassinato,
era esta garota. E, apesar de que eu não poderia tê -la, apenas o sonho de tê-la, se fez
impossível para eu ir numa diver tida matança essa noite - não importa o quanto defensível
tal coisa poderia ser.
Bella merecia mais do que um assassino.
Eu passei sete décadas tentando ser alguma coisa além daquilo - qualquer coisa além de um
assassino. Aqueles anos de esforço nunca pode riam me fazer digno da garota sentada ao
meu lado. E mesmo assim, eu senti que se eu voltasse para aquela vida - a vida de um
assassino - por apenas uma noite, eu certamente poria ela fora de meu alcance para sempre.
Mesmo se eu não tomasse o sangue deles - mesmo se eu não tivesse a evidência brilhando
vermelho em meus olhos - ela não sentiria a diferença?
Eu estava tentando ser bom o suficiente pra ela. Era um objetivo impossível. Eu continuaria
tentando.
“O que há de errado?” Ela sussurrou.
Seu hálito encheu o meu nariz, e eu fui lembrado porque eu não merecia ela. Depois de
tudo isso, mesmo com o muito que eu amava ela… ela ainda me dava água na boca.
Eu daria pra ela tanto honestidade quanto eu podia. Eu devo isso a ela.
“Às vezes eu tenho um problema com o meu temperamento, Bella”. Eu encarei a escura
noite lá fora, desejando que ela escutasse o horror interno de minhas palavras e também que
ela não escutasse. Principalmente que ela não escutasse. Corra, Bella, corra. Fique, Bella,
fique. “Mas não seria ajuda alguma pra mim se eu me virasse e caçasse esses…” Apenas
pensando nisso, quase me tirou de dentro do meu carro. Eu respirei fundo, deixando o
cheiro dela queimar a minha garganta. “Pelo menos, é o que eu estou tentando convencer a
mim mesmo.”
“Oh.”
Ela não disse mais nada. Quanto que ela tinha ouvido das minhas palavras? Eu olhei pra ela
pelo canto do olho, mas o seu rosto estava ilegível. Branco com o choque, talvez. Bem, ela
não estava gritando. Ainda não.
Estava silencioso por um momento. Eu lutei comigo mesmo, tentando ser o que deveria ser.
O que eu não poderia ser.
“Jessica e Angela devem estar preocupadas,” ela disse calmamente. Sua voz estava bem
calma, e eu não estava certo como poderia ser aquilo. Ela estava em choque? Talvez os
eventos de hoje a noite ainda não tinham entrado em sua cabeça. “Era pra eu ter me
encontrado com elas.”
Ela queria ficar longe de mim? Ou ela só estava preocupada com a preocupação das suas
amigas?
Eu não respondi a ela, mas eu liguei o carro e levei -a de volta. Com o passo que eu chegava
mais perto da cidade, mais difícil ficava me segurar no meu objetivo. Eu estava tão perto
dele…
Se fosse possível - se eu nunca pudesse ter ou merecer essa garota - então onde estava o
sentido de deixar esse homem não punido? Com cert eza que eu poderia me permitir tanto…
Não. Eu não estava desistindo. Não ainda. Eu a queria muito para me render agora.
Nós estávamos no restaurante aonde era pra ela ter se encontrado com as suas amigas, antes
mesmo de eu ter começado a racionalizar sobre os meus pensamentos. Jessica e Angela
estavam acabando de comer, e ambas agora realmente se preocupavam com a Bella. Elas
estavam indo procurar por ela, saindo para a rua escura.
Não era uma boa noite para elas saírem por aí vagando.
“Como você soube onde…?” A pergunta inacabada de Bella me interrompeu, e eu percebi
que eu tinha cometido outro deslize. Eu estava muito distraído lembrando -me de perguntála
onde ela deveria ter encontrado suas amigas.
Mas, ao invés de acabar a investigação e chegando ao pont o, Bella apenas balançou a
cabeça e deu um meio sorriso.
O que aquilo significava?
Bem, eu não tinha tempo de decifrar sua estranha aceitação de minha estranha inteligência.
Eu abri a minha porta.
“O que você está fazendo?” Ela perguntou, parecendo assusta da.
Não deixando você sair da minha vista. Não me permitindo de ficar sozinho essa noite.
Nessa ordem. “Estou te levando para jantar.”
Bem, isso deveria ser interessante. Parecia completamente mais como uma outra noite
quando eu imaginei trazer Alice e pre tendendo escolher o mesmo restaurante que Bella e as
suas amigas como se fosse acidente. E agora, aqui estava eu, praticamente num encontro
com a garota. Somente não contava, porque eu não estava dando a ela uma chance de dizer
não.
Ela já tinha metade da sua porta aberta antes que eu desse a volta pelo carro - geralmente
não era tão frustrante ter que se mover numa discreta velocidade - ao invés de esperar que
eu abra pra ela. Isso era porque ela não estava costumada a ser tratada como uma dama, ou
porque ela não pensava em mim como sendo um cavalheiro?
Eu esperei por ela, ficando mais inquieto enquanto as suas amigas continuavam indo para
uma esquina escura.
“Vá parar Jessica e Angela antes que eu tenha que localizá -las também,” eu pedi
rapidamente. “Eu não acho que poderia me reter se eu me encontrasse com os teus outros
amigos de novo.” Não, eu não seria forte o suficiente para aquilo.
Ela estremeceu, e então rapidamente se recompôs. Ela deu meio passo atrás delas,
chamando, “Jess, Angela!” em voz alta. E las se viraram, e ela acenou com a mão para
chamar a atenção delas.
Bella! Oh, ela está a salvo! Angela pensou em alívio.
Muito tarde? Jessica resmungou para si mesma, mas ela, também, estava grata que Bella
não estava perdida ou ferida. Isso me fez gostar dela um pouco mais do que antes.
Elas voltaram, e então pararam, chocadas, quando me viram do lado dela.
Uh-uh! Jess pensou, impressionada. Sem chance!
Edward Cullen? Ela foi sozinha pra se encontrar com ele? Mas porque ela perguntaria
sobre eles estarem fora da cidade se ela sabia que ele estava aqui… Eu vi um curto
momento da expressão torturada de Bella quando ela perguntou a Angela se a minha
família ficava às vezes ausente da escola. No, ela não poderia saber, Angela decidiu.
Os pensamentos de Jessica iam da surpresa à suspeita. Bella está me escondendo algo.
“Onde você esteve?” Ela exigiu, encarando Bella, mas me espiando pelo canto dos olhos.
“Eu me perdi. E então eu encontrei o Edward,” Bella disse, agitando uma mão pra mim.
Seu tom estava muito normal. Como se fosse verdade tudo o que aconteceu.
Ela deve estar em choque. Era a única explicação para sua tranqüilidade.
“Estaria tudo bem se eu me juntasse a vocês?” Eu perguntei - para ser educado; eu sabia
que elas já tinham comido.
Puta merda, ele é quente! Jessica pensou, sua cabeça repentinamente e levemente
incoerente.
Angela não estava muito mais controlada. Queria que nós não tivéssemos comido. Wow.
Apenas. Wow.
Agora porque eu não conseguia provocar isso na Bella?
“Er… claro,” Jessica concordou.
Angela franziu as sobrancelhas. “Um, na verdade, Bella, nós já comemos enquanto
estávamos esperando,” ela admitiu. “Desculpa.”
O que? Cala a boca! Jess reclamou pra si mesma.
Bella deu de ombros, casualmente. Tão calma. Definitivamente em choque. “Tudo bem -
não estou com fome.”
“Eu acho que você deve comer algo,” eu discordei. Ela precisava de açúcar na corrente
sanguínea - apesar de cheirar doce o suficiente como era, eu pensei ironicamente. O pavor
iria vir momentaneamente, e um estômago vazio não ajudar ia. Ela desmaiava facilmente,
que eu saiba por experiência própria.
Essas garotas não estariam em perigo algum se fossem direto para casa. Perigo não
perseguia cada passo seus.
E eu preferiria estar sozinho com a Bella - tanto tempo quanto ela quiser ficar sozinha
comigo.
“Você se importa se eu levar a Bella para casa essa noite?” Eu disse para Jessica antes que
Bella pudesse reagir. “Assim você não vai precisar esperar por ela enquanto ela come.”
“Uh, sem problema, eu acho…” Jessica encarou seri amente Bella, olhando por algum sinal
de que isso era o que ela queria.
Eu quero ficar… mas provavelmente ela quer ele pra si mesma. Quem não iria? Jess
pensou. No mesmo instante, ela viu Bella piscar.
Bella piscou?
“Okay,” Angela disse rapidamente, na pre ssa de ficar fora do caminho se isso era o que
Bella queria. E parecia que ela queria isso. “Te vejo amanhã, Bella… Edward.” Ela se
esforçou para dizer o meu nome num tom casual. Então ela agarrou a mão de Jessica e
começou a rebocar ela pra longe.
Eu teria que achar alguma maneira pra agradecer Angela por isso.
O carro de Jessica estava por perto em um círculo de luz clara feita por uma lâmpada de
rua.
Bella olhou para elas cuidadosamente, uma pequena ruga de preocupação entre seus olhos,
até que elas estavam no carro, então ela deve estar bem ciente do perigo que ela passou.
Jessica abanou enquanto ela dirigia, e Bella acenou de volta. Assim que o carro
desapareceu ela tomou um rumo.
Eu caminhei ao lado dela até a recepção, onde a recepcionista esperava. B ella ainda parecia
inteiramente calma. Eu queria tocar a mão dela, sua testa, para ver a sua temperatura. Mas a
minha mão fria iria assustá-la, assim como aconteceu antes.
Oh, minha nossa, a muito alta voz mental da maitre irrompeu na minha consciência. Minha
nossa, oh minha nossa.
Parecia a minha noite de estar na cabeça das pessoas. Ou eu só estava percebendo isso mais
porque eu queria tanto que a Bella me visse desse modo? Nós sempre fomos atraentes para
a nossa presa. Eu nunca pensei muito sobre isso an tes. Geralmente - ao menos, com pessoas
como Shelly Cope e Jessica Stanley, sempre houve uma constante repetição ao um
entorpecido terror - o medo vinha de forma rápida depois da atração inicial…
“Uma mesa para dois?” Eu disse, quando a maitre não falava.
“Oh, er, sim. Bem vindos ao La Bella Italia.” Mmm! Que voz! “Porque não me
acompanham?” Seus pensamentos eram preocupados - cuidadosos.
Talvez ela seja prima dele. Ela não pode ser irmã dele, eles não se parecem em nada. Mas
família, certamente. Ele não pode estar com ela.
Os olhos humanos eram nublados; não viam nada claramente. Como podia essa mulher de
mente fraca achar os meus encantos físicos - uma armadilha para a presa - tão atraentes, e
mesmo assim não ser capaz de ver a leve perfeição da garota ao meu lado?
Bem, sem necessidade para ajudá -la, só pra garantir, a maitre nos encaminhou para uma
mesa tamanho família no meio da parte mais cheia do restaurante. Será que eu posso dar
pra ele o meu número enquanto ela ta lá…? Ela pensou.
Eu tirei uma nota do meu bolso de trás. As pessoas eram constantemente cooperativas
quando se tratava de dinheiro.
Bella já estava se sentando sem oposição no assento onde a maitre tinha lhe indicado. Eu
balancei a cabeça para ela, e ela hesitou, inclinando sua cabeça pro la do com curiosidade.
Sim, ela seria muito curiosa essa noite. Um lugar cheio não era muito ideal para este tipo de
conversa.
“Talvez algo mais particular?” Eu pedi a maitre, dando a ela o dinheiro. Os olhos dela se
abriram, surpresos, e então se estreitaram enquanto sua mão se enrolou na gorjeta.
“Claro.”
Ela espiou na nota enquanto ela nos encaminhava para uma separada.
Cinqüenta dólares por uma mesa melhor? Rico, também. Isso faz sentido - eu aposto que a
jaqueta dele custou mais do que o meu salário intei ro. Droga. Por que ele quer
privacidade com ela?
Ela nos ofereceu uma mesa num calmo canto do restaurante onde ninguém seria capaz de
nos ver - ver as reações da Bella para o que eu diria pra ela. Eu não tinha nenhuma idéia do
que ela iria querer saber de mim essa noite. Ou o que eu daria pra ela.
Até onde que ela adivinhou? Que explicação que ela contou pra si mesma sobre os
acontecimentos de hoje à noite?
“Que tal isso?” a maitre perguntou.
“Perfeito,” eu disse a ela e, me sentindo levemente irritado por sua má atitude para com
Bella, eu sorri abertamente pra ela, não revelando meus dentes. Deixe ela me ver
nitidamente.
Whoa. “Um… seu garçom virá num instante.” Ele não pode ser real. Eu devo estar
dormindo. Talvez ela irá desaparecer… talvez eu escreva o m eu número no prato dele com
ketchup… Ela saiu, caminhando levemente pelo lado.
Estranho. Ela ainda não estava assustada. Eu de repente me lembrei de Emmett me
provocando na cafeteria, várias semanas atrás. Aposto que eu poderia ter assustado ela
melhor do que você.
Eu estava perdendo a prática?
“Você não devia fazer isso com as pessoas,” Bella interrompeu meus pensamentos com um
tom de desaprovação. “Não é muito justo.”
Eu fitei a expressão de crítica dela. O que ela quis dizer? Eu não tinha assustado a mai tre
nenhum um pouco, apesar das minhas intenções. “Fazer o que?”
“Deslumbrar as pessoas desse jeito - ela deve estar hiperventilando na cozinha nesse exato
momento.”
Hmm, Bella estava quase certa.
A maitre estava pouco coerente no momento, descrevendo seu cálculo incorreto sobre mim
para sua amiga de copa.
“Ah, qual é?” Bella repreendeu -me quando não respondi prontamente. “Você tem que saber
o efeito que você causa nas pessoas.”
“Eu deslumbro as pessoas?” Esta era uma maneira interessante de descrever a sit uação
precisa para esta noite.
Eu imaginei porque a diferença…
“Você não notou?” ela perguntou, ainda crítica. “Você acha que todos entendem
facilmente?”
“Eu deslumbro você?” Verbalizei minha curiosidade impulsivamente, e então as palavras já
haviam sido ditas, e era tarde demais para me arrepender.
Mas antes que eu tivesse tempo de me arrepender profundamente por ter pronunciado essas
palavras, ela respondeu, “Frequentemente.” E suas bochechas tomaram uma tonalidade de
rosa pálido.
Eu a deslumbrava.
Meu coração silencioso inflou-se com uma esperança mais intensa do que jamais me
lembro de ter sentido antes.
“Olá,” alguém disse, a garçonete, apresentando -se. Seus pensamentos eram muito audíveis
e mais explícitos do que o da maitre, mas eu a ignorei. Eu fite i a face de Bella ao invés de
ouvir, assistindo ao sangue se espalhar por sob a sua pele, notando não como aquilo fazia
minha garganta arder, mas como aquilo abrilhantava seu rosto, como aquilo espantava a
palidez de sua pele…
A garçonete estava esperando algo de mim. Ah, ela perguntou o que beberiamos. Eu
continuei a olhar para Bella, e a garçonete virou -se a contragosto para olhá-la também.
“Quero uma coca-cola?” disse Bella, como se pedisse aprovação.
“Duas cocas,” eu completei. Sede - sede normal de humanos- era um sinal de choque. Eu
me certificaria de que ela tivesse o açúcar extra da soda no seu sistema.
Mas ela parecia saudável. Mais que saudável. Ela parecia radiante.
“O que foi?” ela perguntou - imaginando porque eu a fitava, pensei. Eu mal havia n otado
que a garçonete havia saído.
“Como se sente?” perguntei.
Ela piscou, surpresa pela pergunta. “Estou ótima.”
“Você não se sente doente, resfriada, aturdida?”
Ela estava ainda mais confusa agora. “Eu deveria?”
“Bem, na verdade estou esperando que você entre em choque.” Eu esbocei um sorriso,
esperando pela sua negativa. Ela não iria querer ser cuidada por outra pessoa.
Levou um minuto para que ela me respondesse. Seus olhos estavam ligeiramente sem foco.
Por vezes ela parecia assim, quando eu sorria par a ela. Estaria ela… deslumbrada?
Eu amaria acreditar nisso.
“Eu não acho que isso vá acontecer. Eu sempre fui muito boa em reprimir coisas
desagradáveis,” ela respondeu, um tanto esbaforida.
Será então que ela tinha muita experiência com coisas desagradáve is? Seria sua vida
sempre assim tão arriscada?
“O mesmo de sempre,” eu disse a ela. “Eu me sinto melhor quando você tem algum açúcar
e nutrientes dentro de você.”
“A garçonete retornou com os refrigerantes e um cesto de pão. Ela deixou tudo na minha
frente e perguntou pelo meu pedido, tentando me olhar nos olhos, durante o processo. Eu
indiquei que ela deveria atender a Bella, e então voltei a ignorá -la. Ela tinha uma mente
vulgar.
“Um…” Bella deu uma rápida olhada no menu. “Eu vou querer o ravioli de cogum elos.”
A garçonete voltou-se rapidamente para mim. “E você?”
“Nada para mim.”
Bella fez uma expressão de desprezo. Hmm. Ela deve ter notado que eu nunca ingeria
alimentos. Ela notava tudo. E eu sempre me esquecia de ser cuidadoso quando estava com
ela.
Esperei até que estivessemos sozinhos novamente.
“Beba,” eu insisti.
Eu fiquei surpreso quando ela obedeceu imediatamente sem nenhuma objeção. Ela bebeu
até que a garrafa estivesse totalmente vazia, então eu empurrei a segunda coca para ela,
cerzindo as sobrancelhas um pouco. Sede ou choque?
Ela bebeu um pouco mais, e então sentiu um calafrio.
“Está com frio?”
“É só a coca,” ela disse, mas estremeceu novamente, seus lábios tremendo como se seus
dente estivessem prestes a tiritar de frio.
A linda blusa que ela usava parecia muito fina para protegê -la adequadamente; ela a
envolvia como uma segunda pele, quase tão frágil como a primeira. Ela era tão frágil, tão
mortal.
“Você não tem uma jaqueta?”
“Sim,” ela olhou ao redor de si mesma, meio perplexa. “Oh - eu a deixei no carro de
Jessica.”
Eu tirei minha jaqueta, desejando que este gesto não fosse estragado pela minha
temperatura corporal. Seria bom se eu fosse capaz de oferecer a ela um casaco aquecido.
Ela me encarou, suas bochechas corando novamente. O que ela e staria pensando agora?
Eu passei a jaqueta para ela por cima da mesa, e ela a vestiu de uma vez, e então tremeu
novamente.
Sim, seria ótimo ser quente.
“Obrigada,” ela disse. Ela respirou fundo e então puxou as mangas longas para liberar suas
mãos. Ela respirou fundo novamente.
Estaria a noite finalmente atuando? Sua cor ainda estava boa, sua pele estava num tom de
rosa pálido em contraste com o azul escuro da sua camisa.
“Esse tom de azul fica adorável com o seu tom de pele,” eu a elogiei. Apenas sendo
honesto.
Ela corou, enaltecendo o efeito.
Ela parecia bem, mas não havia sentido em me arriscar. Eu empurrei o cestinho de pães na
direção dela.
“Realmente,” ela objetou, imaginando meus motivos. “Eu não vou entrar em choque.”
“Você deveria - uma pessoa normal entraria. Você nem ao menos parece abalada.” Eu a
fitei, desaprovando, imaginando porque ela não poderia ser normal assim e então me
perguntei se eu realmente queria que ela o fosse.
“Eu me sinto muito segura com você,” ela disse, seus olhos, novamente, cheios de
confiança. Confiança que eu não merecia.
Seus instintos estavam todos errados - invertidos. Este deveria ser o problema. Ela não
reconhecia o perigo da forma como um ser humano era capaz. Ela tinha uma reação oposta.
Ao invés de correr, ela hesitava, se atirava ao que deveria assustá -la…
Como eu poderia protegê-la de mim mesmo quando nenhum de nós dois queria isso?
“Isso é mais complicado do que eu planejei,” eu murmurei.
Eu pude ver minhas palavras rodando em sua cabeça, e eu imaginei o que ela t eria feito
com elas. Ela apanhou uma baguete e começu a comer sem prestar muita atenção. Ela
mascou por um momento, e então inclinou sua cabeça para um lado, pensativa.
“Geralmente você está de melhor humor quando seus olhos estão claros,” ela disse em um
tom casual.
Sua observação, dita de forma tão direta, me deixou atordoado. “O que?”
“Você é sempre mais irritadiço quando seus olhos estão negros.” - eu esperava algo assim.
“Eu tenho uma teoria sobre isso,” ela adicionou calmamente.
Então ela veio com sua própria explicação. É claro que ela tinha uma. Eu senti um pavor
profundo quando imaginei o quão perto da verdade ela chegara.
“Mais teorias?”
“Mm-hm.” Ela mastigava uma outra mordida, totalmente relaxada. Como se ela não fosse
discutir as características de um monstro com o próprio monstro.
“Espero que você seja mais criativa dessa vez…” Eu menti quando ela não continuou.
O que eu realmente esperava era que ela estivesse errada - a quilometros longe da verdade.
“Ou você ainda está plagiando histórias em q uadrinhos?”
“Bem, não, eu não me inspirei numa revista em quadrinhos,” ela disse, um pouco
embaraçada. “Mas eu também não imaginei tudo sozinha.”
“E…?” eu perguntei entredentes.
É claro que ela não iria falar tão calmamente se estivesse prestes a gritar.
Quando ela hesitou, mordendo seus lábios, a garçonete reapareceu com a comida de Bella.
Eu dei um pouco de atenção à servente enquanto ela arrumava o prato na frente de Bella e
então perguntava se eu desejava algo.
Eu declinei, mas pedi outra coca. A garçon ete não havia notado os copos vazios. Ela os
pegou e levou-os.
“Você estava dizendo…?” Eu soprei a deixa anciosamente tão logo quanto ficamos a sós
novamente.
“Eu vou te contar quando estivermos no carro,” ela disse com uma voz baixa. Ah, isso seria
ruim. Ela não estava querendo falar seus palpites na frente de outras pessoas. “Se…” ela
irrompeu repentinamente.
“Há condições?” Eu estava tão tenso que quase rosnei as palavras.
“Eu tenho algumas perguntas, é claro.”
“É claro,” eu consenti, com um tom de voz s eco.
Suas perguntas provavelmente seriam o bastante para que eu soubesse em que direção seus
pensamentos estavam seguindo. Mas como eu as responderia? Com mentiras responsáveis?
Ou eu a assombraria com a verdade? Ou não diria nada, incapaz de decidir?
Nós continuamos sentados em silêncio enquanto a garçonete reabastecia seu estoque de
soda.
“Bem, vá em frente,” eu disse, com minhas mandibulas travadas, quando ela se foi.
“Por que você está em Port Angeles?”
Esta era uma pergunta fácil demais - para ela. A pergunta não me indicaria nada, enquanto
minha resposta, se verdadeira, indicaria muito, muito mesmo. Deixe que ela revele algo
primeiro.
“Próxima,” eu disse.
“Mas esta foi a mais fácil!”
“Próxima,” eu repeti.
Ela estava frustrada pela minha rejeição. Ela tirou seus olhos de mim e olhou para baixo,
para a sua comida.
Vagarosamente, pensativa, ela deu uma mordida e mastigou com vontade. Fez tudo descer
com mais coca e então finalmente olhou para mim. Seus olhos estavam estreitos, cheios de
suspeita.
“Certo, então,” ela disse. “Vamos dizer que, hipotéticamente, é claro, que… alguém…
pudesse saber o que as pessoas estão pensando, ler mentes, você entendeu - com apenas
algumas poucas exceções.”
Poderia ser pior.
Isto explicava aquele sorrisinho no carro. Ela era rápida - ninguém mais jamais havia
adivinhado este meu poder. Exceto por Carslile, quando isto era bem mais óbvio, no
começo, quando eu respondia a todos os seus pensamentos como se ele tivesse falando
comigo. Ele havia entendido o meu poder antes de mim…
Esta pergunta não era tão ruim. Apesar de estar claro que ela sabia haver algo de errado
comigo, não era tão ruim quanto poderia ser. Leitura de mentes não era, afinal, uma faceta
do cânone vampírico. Eu continuei com a sua hipótese.
“Apenas uma exceção,” eu a corrigi. “Hipoteticamente”
Ela se esforçou para não sorrir - minha vaga honestidade a havia agradado. “Tudo bem,
com uma única exceção, então. Como isso funciona? Quais as limitações? Como seria… se
alguém… encontrasse outra pessoa exatamente numa h ora de grande necessidade? Como
ele poderia saber que ela estaria com problemas?”
“Hipoteticamente?”
“Claro.” Seus lábios se retorceram, e seus olhos castanhos estavam ansiosos.
“Bem,” eu hesitei. “Se… esse alguém…”
“Vamos chamá-lo de Joe,” ela sugeriu.
Eu tive que sorrir diante do entusiasmo dela. Ela achava mesmo que a verdade seria uma
coisa boa? Se meus segredos fossem coisas agradáveis, por que eu a manteria afastada
deles?
“Joe, então,” eu concordei. “Se Joe estivesse prestando atenção, o tempo não t eria que ser
tão exato.” Eu balancei minha cabeça e reprimi um calafrio quando me lembrei o quão
perto eu estive de chegar muito tarde hoje. “Você é a única pessoa que pode se encrencar
em uma cidade tão pequena. Você deve ter devastado a estatística de cr imes deles, por
décadas, você sabe.”
Seus lábios murcharam um pouco e então ela disse: “Nós estamos falando de um caso
hipotético.”
Eu ri diante da irritação dela.
Seus lábios, sua pele… eles pareciam tão suaves… Eu queria tocá -los. Eu queria empurrar
sua sobrancelha franzida para cima com a ponta dos meus dedos. Impossível. Minha pele
seria um repelente para o seu calor.
“Sim, nós estávamos…” Eu disse, retornando ao nosso assunto antes de eu ter entrado em
depressão. “Devemos chamar você de Jane?”
Ela olhou por sobre a mesa, diretamente para mim, com toda a irritação e mal humor
dissipados dos seus olhos arregalados.
“Como você sabia?” ela perguntou, sua voz baixa e intensa.
Eu deveria dizer a verdade a ela? E, se dissesse, qual parte da verdade?
Eu queria dizer a ela. Eu queria merecer a confiança que eu ainda enxergava em sua feição.
“Você pode confiar em mim, sabe,” ela sussurrou, e levou a mão para frente como se fosse
tocar em minhas mãos onde elas estavam em cima da mesa vazia em minha frente.
Eu as tirei de alcance - odiando a idéia da reação dela à minha pele fria e pétrea - e ela
deixou as mãos pousarem na mesa.
Eu sabia que podia confiar nela com relação a guardar meus segredos; ela era inteiramente
confiável, até o fim. Mas eu não podia confiar que ela não ficaria horrorizada com eles. Ela
deveria ficar horrorizada. A verdade era horrível.
“Eu não sei mais se tenho escolha,” murmurei. Lembrei -me de uma vez tê-la provocado ao
chamá-la de ‘excessivamente distraída.’ A ofendi, se eu julguei certo suas expressões. Bem,
essa havia sido uma injustiça, pelo menos. “Eu estava errado - você é mais atenta do que eu
havia dado crédito.” E, apesar dela talvez não ter notado, eu já havia lhe dado muito
crédito. Ela não perdia nada.
“Pensei que você estava sempre certo,” ela disse, sorrindo enquanto me provocava.
“Eu costumava estar.” Eu costumava saber o que fazia. Costumava ter sempre certeza de
meu caminho. Agora tudo era caos e tumulto.
Mesmo assim, não trocaria nada. Eu não queria a vida que fazia sentido. Não se o caos
significava que eu podia ter Bella.
“Eu estava errado sobre você em outro ponto também,” continuei, aparando as arestas em
outro ponto. “Você não é um ímã para acidentes - essa não é uma classificação muito
ampla. Você é um imã para problemas. Se houver algo perigoso num raio de dez milhas,
invariavelmente vai achar você.” Por que ela? O que ela havia feito para merecer tudo isso?
O rosto de Bella estava sério novamente. “E você se coloca nessa categoria?”
Honestidade era mais importante em relaç ão a essa questão do que qualquer outra.
“Definitivamente”.
Seus olhos se estreitaram levemente - não com suspeita, mas estranhamente preocupada.
Ela levou a mão pela mesa novamente, devagar e deliberadamente. Tirei minhas mãos
alguns centímetros mais longe das dela, mas ela ignorou o movimento, determinada a me
tocar. Prendi a respiração - não por causa de seu cheiro agora, mas por causa da súbita e
irresistível tensão. Medo. Minha pele a deixaria enojada. Ela correria para longe.
Ela roçou a ponta dos dedos levemente pelas costas de minhas mãos. O calor seu toque
gentil e desejoso não era igual a nada que eu já havia sentido antes. Era quase puro prazer.
Teria sido, se não fosse pelo meu medo. Observei seu rosto quando ela sentiu o frio pétreo
de minha pele, ainda incapaz de respirar.
Um meio sorriso apareceu nos cantos de seus lábios.
“Obrigada,” ela disse, me encarando intensamente. “Já são duas vezes agora.”
Seus dedos macios ficaram em minha mão como se achassem confortável estar lá.
Respondi o mais casual possível. “Não vamos tentar uma terceira vez, de acordo?”
Ela fez uma careta, mas concordou.
Tirei minhas mãos das suas. Por melhor que seu toque fosse, eu não esperaria até que a
mágica de sua tolerância passasse e se transformasse em repulsa. Escondi minhas mãos
embaixo da mesa.
Li seus olhos; apesar de sua mente estar silenciosa, eu podia perceber tanto confiança
quando surpresa nela. Percebi naquele momento que eu queria responder as perguntas dela.
Não por que eu devia isso a ela. Não porque eu que ria que ela confiasse em mim.
Eu queria que ela me conhecesse.
“EU a segui até Port Angeles,” disse a ela, as palavras saindo muito rápido para que eu as
censurasse. Eu sabia do perigo da verdade, do risco que eu corria. Até aquele momento, sua
calma fora do normal poderia se transformar em histeria. Contrariamente, saber isso apenas
fez com que eu falasse mais rápido. “Nunca tentei manter uma pessoa específica viva antes
e é muito mais trabalhoso do que eu acreditava. Mas provavelmente é apenas porque é
você. Pessoas normais parecem conseguir passar o dia sem muitas catástrofes.”
Observei-a, esperando.
Ela sorriu. Seus lábios se curvaram nas pontas, e seus olhos cor de chocolate se aqueceram.
Eu havia acabado de admitir que a havia seguido, e ela estava sor rindo.
“Já parou para pensar que talvez fosse minha hora daquela primeira vez, com a van, e você
está interferindo no destino?” ela perguntou.
“Aquela não foi a primeira vez,” eu disse, encarando a toalha de mesa avermelhada, meus
ombros curvados de vergonha. Minhas barreiras haviam caído, a verdade saía de qualquer
jeito. “Sua hora foi na primeira vez que te conheci.”
Era verdade, e aquilo me deixava nervoso. Eu estava posicionado na vida dela como a
lâmina de uma guilhotina. Era como se ela estivesse marc ada para morrer por um destino
cruel e injusto, e - já que eu parecia ser uma ferramenta involuntária - esse mesmo destino
parecia ainda tentar executá-la. Imaginei o destino personificado - uma velha cinzenta e
invejosa, uma harpia vingativa.
Eu queria que algo, alguém, fosse responsável por isso - para que eu tivesse algo concreto
contra o que lutar. Algo, alguma coisa para destruir, para que ela pudesse ficar a salvo.
Bella estava muito quieta; sua respiração acelerada.
Olhei para ela, sabendo que finalmente eu veria o medo que estava esperando. Eu não havia
acabado de admitir o quão perto eu havia estado de matá -la? Mais próximo do que a van
que ficou a meros centímetros de esmagá -la. Mesmo assim, seu rosto parecia calmo, seus
olhos ainda apertados com p reocupação.
“Você se lembra?” Ela tinha que se lembrar daquilo.
“Sim,” ela disse, com a voz calma e grave. Seus olhos profundos conscientes.
Ela sabia. Ela sabia que eu pensara em matá -la daquela vez.
Onde estavam os gritos?
“E ainda assim você está aqui,” eu disse, apontando a inerente contradição.
“Sim, eu estou aqui… por você.” Sua expressão se alterou agora curiosa, como se ela
sutilmente houvesse mudado o assunto. “Porque de alguma forma você sabia como me
encontrar hoje…?”
Mesmo sem chances, forcei ma is uma vez a barreira que protegia seus pensamentos,
desesperado para entender. Não fazia sentido nem tinha lógica para mim. Como ela podia
se importar com o resto com aquela verdade sobre a mesa?
Ela esperou, apenas curiosa. Sua pele era pálida, o que era natural para ela, mas ainda me
preocupava. Seu jantar permanecia intocado em sua frente. Se eu continuasse a lhe contar
muito, ela iria precisar de proteção quando o choque passasse.
Resolvi meus termos. “Você come, eu falo.”
Ela pensou sobre aquilo por meio segundo e comeu um pouco com uma velocidade que
parecia destoar de sua calma. Ela estava mais ansiosa pela minha resposta do que seus
olhos demonstravam.
“É mais difícil do que deveria ser - manter você à vista,” eu lhe disse. “Geralmente eu
posso encontrar alguém facilmente, uma vez que já tenha ouvido suas mentes antes.”
Observei seu rosto com cuidado quando disse isso. Adivinhar era uma coisa, obter a
confirmação era outra.
Ela estava sem ação, seus olhos arregalados. Senti meus dentes rangerem enqua nto
esperava que ela entrasse em pânico.
Mas ela apenas piscou uma vez, engoliu fazendo barulho, e rapidamente mordeu mais um
pedaço. Ela queria que eu continuasse.
“Eu estava me concentrando em Jessica,” continuei, observando cada palavra que saía.
“Não cuidadosamente - como eu disse, só você poderia encontrar problemas em Port
Angeles -” não resisti ao comentário. Será que ela sabia que outras vidas humanas não eram
tão marcadas por experiências de quase morte, ou ela achava que era normal? Ela era a
coisa mais fora do normal que eu já havia encontrado. “Primeiramente, não notei quando
você saiu sozinha. Então, quando percebi que você não estava mais com ela, saí procurando
você na livraria que vi na mente dela. Eu sabia que você não havia entrado, e que h avia ido
para o sul… e eu sabia que você teria que voltar logo. Então eu estava apenas esperando
por você, procurando aleatoriamente pelos pensamentos das pessoas nas ruas - para ver se
alguém havia notado você para que eu soubesse onde você estava. Eu não tinha motivos
para me preocupar… mas eu estava estranhamente ansioso…” Minha respiração ficou mais
rápida quando me lembrei da sensação de pânico. O cheiro dela alcançou minha garganta e
eu estava contente. Era uma dor que significava que ela estava viva. Enquanto eu
queimasse, ela estava a salvo.
“Comecei a dirigir em círculos, ainda… ouvindo.” Eu esperava que a palavra fizesse
sentido para ela. Isso provavelmente era confuso. “O sol estava finalmente se pondo, e eu
estava prestes a sair e te procurar a p é. E então –”
Enquanto a memória me voltava - perfeitamente clara e tão vívida como se eu estivesse
naquele momento novamente - senti a mesma fúria assassina correndo por meu corpo, presa
em gelo.
Eu o queria morto. Eu precisava dele morto. Meu maxilar end ureceu enquanto me
concentrava em me segurar na mesa. Bella ainda precisava de mim. Era isso que importava.
“Então o que?” ela murmurou, seus olhos escuros arregalados.
“Eu ouvi o que eles estavam pensando,” disse entre -dentes, incapaz de fazer as palavras
saírem sem parecer um rosnado. “Eu vi seu rosto na mente dele.”
Eu mal podia resistir à vontade de matar. Eu ainda sabia precisamente onde encontrá -lo.
Seus pensamentos ruins passeavam pela noite, como se me chamassem…
Cobri meu rosto, sabendo que minha e xpressão era a de um monstro, um caçador, um
assassino. Fixei a imagem dela por trás de meus olhos para me controlar, concentrando -me
apenas em seu rosto. A delicada moldura óssea, a fina camada de sua pele pálida - como
seda esticada em vidro, incrivelmen te macia, fina e fácil de estilhaçar. Ela era vulnerável
demais para esse mundo. Ela precisava de um protetor. E, como um desvio do destino, eu
era a coisa mais próxima que estava disponível.
Tentei explicar minha reação violenta para que ela pudesse enten der.
“Foi muito… difícil - você não imagina o quão difícil - para mim apenas te tirar de lá e
deixá-los… vivos” eu suspirei. “Eu poderia ter deixado você ir com Jessica e Angela, mas
estava com medo de que se você me deixasse sozinho, eu iria atrás deles.”
Pela segunda vez esta noite, eu confessei a intenção de assassinato. Pelo menos esse era
passível de defesa.
Ela estava quieta enquanto eu tentava me controlar. Escutei as batidas de seu coração. O
ritmo era irregular, mas se acalmou conforme o tempo ia p assando e agora estava estável
novamente. Sua respiração também estava devagar e estável.
Eu estava muito próximo do limite. Eu precisava levá -la para casa antes…
Eu o mataria, então? Eu me tornaria um monstro novamente quando ela confiava em mim?
Haveria alguma forma de me deter?
Ela havia prometido me contar sua mais nova teoria quando estivéssemos sozinhos. Eu
queria ouvir? Estava ansioso por isso, mas será que a recompensa por minha curiosidade
seria pior do que não saber?
De qualquer modo, ela já teria verdades o suficiente por aquela noite.
Olhei para ela novamente, e seu rosto estava mais pálido do que antes, mas composto.
“Está pronta para ir para casa?” perguntei.
“Estou pronta para ir,” ela disse, escolhendo as palavras com cuidado, como se um simp les
‘sim’ não expressasse exatamente o que ela queria dizer.
Frustrante.
A garçonete retornou. Ela havia escutado a última frase de Bella enquanto caminhava para
o outro lado da mesa, pensando no que mais ela poderia oferecer. Eu queria fingir que não
estava ouvindo algumas das ofertas que ela tinha em mente.
“Como estamos?” ela me perguntou.
“Estamos prontos para pedir a conta, obrigado,” eu disse, meus olhos em Bella.
A respiração da garçonete deu um pico e ela estava momentaneamente - usando a frase de
Bella - deslumbrada com a minha voz.
Num breve momento de percepção, escutando como minha voz soava na mente dessa
humana inconseqüente, eu percebi por que eu parecia atrair tanta atenção naquela noite - ao
contrário do medo de sempre.
Era por causa de Bella. Tentando tanto ser seguro para ela, para ser menos assustador, para
seu humano, eu havia perdido meus limites. Os outros humanos viam beleza agora, com
meu horror inato tão cuidadosamente sob controle.
Olhei para a garçonete, esperando que ela se recupe rasse. Era um pouco engraçado, agora
que eu sabia o motivo.
“Claro,” ela gaguejou. “Aqui está.”
Ela me estendeu a pasta com a conta, pensando no cartão que ela havia deixado embaixo do
recibo. Um cartão com seu nome e telefone.
Sim, era realmente engraçado.
Eu já tinha o dinheiro pronto. Devolvi imediatamente a pasta, para que ela não perdesse
tempo esperando um telefonema que nunca aconteceria.
“Sem troco,” eu disse, esperando que o tamanho da gorjeta compensasse seu
desapontamento.
Levantei-me e Bella logo me seguiu. Eu queria lhe oferecer minha mão, mas pensei que
talvez estivesse desafiando minha sorte um pouco demais por uma noite. Agradeci a
garçonete, meus olhos nunca deixando o rosto de Bella. Bella parecia estar achando algo
engraçado, também.
Saímos de lá, eu caminhando o mais perto quanto me era possível. Perto o suficiente para
que o calor do corpo dela fosse como um toque físico contra o lado esquerdo do meu corpo.
Enquanto eu segurava a porta para ela, ela suspirou de leve, e me perguntei o que a teria
deixado triste. Encarei seu olhar, prestes a perguntar, quando ela de repente encarou o chão,
parecendo envergonhada. Isso me deixou ainda mais curioso, ainda que relutante em
perguntar. O silêncio entre nós continuou enquanto eu abria a porta do c arro para ela e
entrava no carro.
Liguei o aquecedor - o tempo mais quente havia de repente terminado; o frio do carro
deveria ser desconfortável para ela. Ela se encolheu em minha jaqueta, um pequeno sorriso
em seus lábios.
Esperei, adiando a conversa até que as luzes do painel apagassem. Isso me fez sentir ainda
mais sozinho com ela.
Seria aquilo a coisa certa a se fazer? Agora que eu estava concentrado apenas nela, o carro
parecia menor. Seu aroma dançava dentro com a corrente de ar do aquecedor, se
intensificando e aumentando. Cresceu em sua força, como se fosse uma entidade própria
dentro do carro. Uma presença que demandava ser notada.
E havia sido; eu queimei. A sensação era aceitável, no entanto. Parecia estranhamente
apropriada para mim. Me havia si do dado tanto aquela noite - mais do que eu esperava. E
aqui estava ela, ainda a meu lado por vontade própria. Eu devia algo em retorno. Um
sacrifício, uma oferta em forma de queimação.
Agora, se eu pudesse manter as coisas daquele jeito; apenas queimação, e mais nada. Mas o
veneno encheu minha boca, e meus músculos ficaram tensos em antecipação, como se eu
estivesse caçando…
Eu precisava manter tais pensamentos longe de minha mente. E eu sabia o que me
distrairia.
“Agora,” eu disse à ela, temendo sua resposta e me distraindo da sensação de queimado. “É
sua vez.”